Bases biológicas da capacidade aeróbia e da durabilidade no exercício de endurance: adaptações metabólicas, resistência à fadiga e determinantes fisiológicos do desempenho prolongado

por | out 24, 2026

O desempenho humano em exercícios de endurance constitui uma expressão integrada da capacidade dos sistemas cardiovascular, respiratório, muscular, metabólico e nervoso de sustentar a produção de energia e a realização de trabalho mecânico durante períodos prolongados. Embora tradicionalmente associado ao consumo máximo de oxigênio (VO₂máx), aos limiares metabólicos e à economia de movimento, o desempenho de resistência depende também da capacidade de preservar essas propriedades funcionais à medida que o exercício progride e a fadiga se acumula. Essa dimensão temporal da aptidão fisiológica tem recebido crescente atenção científica por meio do conceito de durabilidade (durability), que procura caracterizar a manutenção do desempenho e a estabilidade das respostas fisiológicas diante de cargas prolongadas. A compreensão desse fenômeno exige superar modelos excessivamente reducionistas de prescrição do treinamento e reconhecer o organismo como um sistema biológico complexo, no qual adaptações celulares, disponibilidade energética, recrutamento neuromuscular, termorregulação e mecanismos de autorregulação interagem continuamente (MAUNDER et al., 2021; JONES, 2024; MEIXNER; JOYNER; SPERLICH, 2025).

A capacidade aeróbia representa uma propriedade funcional do organismo relacionada à sustentação da ressíntese oxidativa de adenosina trifosfato (ATP) em diferentes intensidades e durações de exercício. Sua expressão depende da integração entre transporte convectivo de oxigênio, difusão microvascular, capacidade oxidativa mitocondrial, disponibilidade de substratos energéticos e eficiência dos processos celulares responsáveis pela transformação da energia química em trabalho mecânico. O treinamento de endurance modifica progressivamente esses componentes, aumentando a capacidade de sustentar taxas elevadas de metabolismo oxidativo e reduzindo, para uma determinada carga absoluta, a perturbação da homeostase metabólica. Entretanto, tais adaptações não ocorrem de maneira uniforme, pois dependem da intensidade, duração, frequência e distribuição dos estímulos, além do estado inicial de treinamento, das condições ambientais, da recuperação e da disponibilidade nutricional. Consequentemente, a prescrição do treinamento deve considerar não apenas a magnitude isolada de cada sessão, mas sua contribuição para a reorganização funcional do organismo ao longo do tempo (SOLA ARJONA, 2026; MAUNDER et al., 2021).

A intensidade do exercício constitui uma variável fundamental na determinação das respostas fisiológicas agudas, mas sua interpretação requer reconhecer que os sistemas de fornecimento de energia operam simultaneamente, com participações relativas continuamente modificadas pelas exigências metabólicas. A utilização de zonas de treinamento representa, portanto, uma simplificação operacional de processos biológicos essencialmente contínuos. A transição entre diferentes domínios de intensidade não corresponde ao acionamento ou desligamento abrupto de vias metabólicas, mas a alterações progressivas na contribuição relativa dos substratos, na cinética do consumo de oxigênio, na produção e remoção de lactato, no recrutamento de unidades motoras e na estabilidade das variáveis fisiológicas. Nesse contexto, a distinção entre exercícios realizados abaixo do primeiro limiar metabólico, entre o primeiro e o segundo limiares e acima do segundo limiar oferece uma estrutura particularmente útil para compreender as relações entre estímulo, adaptação e fadiga, sem pressupor que uma única intensidade seja responsável por determinada adaptação biológica (SOLA ARJONA, 2026).

O treinamento de baixa intensidade ocupa posição central no desenvolvimento da capacidade aeróbia porque permite acumular volumes expressivos de exercício com menor perturbação fisiológica por unidade de tempo, quando comparado a intensidades mais elevadas. Essa característica favorece a repetição frequente dos estímulos e a manutenção de uma carga crônica suficiente para promover adaptações estruturais e funcionais. Embora exercícios de alta intensidade também possam estimular adaptações mitocondriais, cardiovasculares e metabólicas, a utilização predominante de intensidades baixas oferece vantagens relacionadas à tolerabilidade, à recuperação e à possibilidade de aumentar o volume semanal sem produzir níveis excessivos de fadiga. A eficiência dessa estratégia deve ser compreendida em termos da relação entre estímulo adaptativo e custo fisiológico, e não como evidência de superioridade universal de uma zona específica de treinamento (SOLA ARJONA, 2026; MATOMÄKI et al., 2023).

A duração do exercício assume importância particular na regulação das adaptações aeróbias porque determina o tempo durante o qual os tecidos permanecem submetidos a demandas sustentadas de ressíntese de ATP, mobilização de substratos e manutenção do equilíbrio energético. Durante exercícios prolongados, o músculo esquelético modifica progressivamente a participação relativa de carboidratos e lipídios, enquanto a disponibilidade de glicogênio muscular, a oferta circulante de substratos e as respostas hormonais influenciam a continuidade da produção energética. A repetição desses estímulos pode favorecer adaptações que ampliam a capacidade oxidativa e a flexibilidade metabólica. Entretanto, a redução da disponibilidade de glicogênio não deve ser interpretada como requisito obrigatório para a sinalização adaptativa, tampouco a sensação subjetiva de esgotamento energético constitui indicador direto da magnitude das adaptações mitocondriais. O efeito do treinamento resulta da interação entre trabalho muscular, estado energético celular, disponibilidade nutricional e recuperação, de modo que a depleção excessiva de substratos pode comprometer a qualidade das sessões subsequentes e a capacidade de sustentar o processo adaptativo (SOLA ARJONA, 2026).

A relação entre intensidade e duração apresenta implicações importantes para a organização do treinamento. Sessões mais longas, realizadas em intensidades relativamente baixas, e sessões mais curtas, executadas em intensidades moderadas ou elevadas, podem produzir melhorias em componentes compartilhados da aptidão aeróbia. Entretanto, a equivalência de determinadas respostas adaptativas não significa identidade dos estímulos fisiológicos. À medida que a intensidade aumenta, elevam-se a taxa de ressíntese de ATP, a participação relativa do metabolismo dos carboidratos, o recrutamento de unidades motoras adicionais e a demanda sobre mecanismos cardiovasculares, respiratórios e neuromusculares. Em consequência, duas sessões que produzam percepções globais semelhantes de esforço podem apresentar perfis distintos de utilização de substratos, perturbação metabólica e recuperação. A percepção subjetiva de esforço representa uma ferramenta relevante para integrar essas respostas, mas não substitui integralmente a caracterização objetiva da intensidade e da carga interna (SOLA ARJONA, 2026; HILL et al., 2008).

A resposta neuroendócrina ao exercício ilustra a influência da intensidade sobre o custo fisiológico das sessões. Hill et al. (2008) demonstraram que exercícios realizados a 60% e 80% do VO₂máx produziram elevações nas concentrações circulantes de cortisol, enquanto o aumento significativo do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) ocorreu na condição de maior intensidade. Esses resultados evidenciam que a magnitude do esforço modifica a ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal e, consequentemente, as respostas hormonais associadas à mobilização energética. O cortisol exerce funções fisiológicas essenciais na manutenção da disponibilidade de substratos e na adaptação ao estresse, não devendo ser classificado isoladamente como um fator prejudicial ao treinamento. Contudo, a exposição crônica a cargas excessivas, especialmente quando acompanhada de recuperação insuficiente e baixa disponibilidade energética, pode contribuir para alterações metabólicas, imunológicas e funcionais desfavoráveis. A interpretação dessas respostas deve considerar que elevações transitórias de cortisol durante o exercício não constituem, por si só, evidência de sobrecarga patológica (HILL et al., 2008).

A distribuição da intensidade também influencia a sustentabilidade psicológica e comportamental do treinamento. A manutenção de esforços relativamente elevados exige maior tolerância ao desconforto, atenção contínua à tarefa e capacidade de regular a percepção de esforço. Embora essas exigências sejam relevantes para o desempenho competitivo, sua repetição excessiva pode reduzir o prazer associado à prática e dificultar a continuidade do programa. A aderência ao treinamento constitui uma variável determinante da adaptação em longo prazo, uma vez que estímulos fisiologicamente eficazes deixam de produzir benefícios quando não podem ser sustentados com regularidade. Em adolescentes do sexo feminino com sobrepeso ou obesidade, Abassi et al. (2023) investigaram diferenças entre protocolos intervalados de intensidade moderada e elevada, incluindo respostas relacionadas à aptidão física, ao prazer e à valência afetiva. Embora esses resultados não possam ser diretamente extrapolados para atletas altamente treinados, reforçam a importância de considerar a experiência subjetiva e a tolerabilidade na organização das cargas. Assim, a eficácia do treinamento resulta não apenas de sua potência biológica imediata, mas também da possibilidade de sua execução consistente ao longo de meses e anos (ABASSI et al., 2023; SOLA ARJONA, 2026).

A perspectiva evolutiva oferece uma dimensão complementar para compreender a capacidade humana de sustentar atividades prolongadas. A espécie humana apresenta características anatômicas, fisiológicas e comportamentais relacionadas à locomoção de resistência, à dissipação de calor e à capacidade de percorrer grandes distâncias. Entretanto, a resistência à fadiga não deve ser interpretada exclusivamente como resultado de adaptações para exercícios contínuos em intensidade moderada ou elevada. A atividade locomotora humana, em diferentes contextos ecológicos, pode envolver longos períodos de deslocamento relativamente econômico, intercalados por esforços mais intensos e interrupções. Essa variabilidade sugere que a capacidade de alternar demandas energéticas e preservar recursos fisiológicos constitui uma característica relevante da resistência humana. Ainda assim, inferências evolutivas não permitem estabelecer diretamente a distribuição ótima das intensidades no treinamento esportivo contemporâneo, cuja eficácia depende de objetivos competitivos, histórico de treinamento e características individuais (MARINO; SIBSON; LIEBERMAN, 2022; SOLA ARJONA, 2026).

A organização do treinamento aeróbio pode incorporar variações planejadas de terreno, cadência, modalidade e exigência técnica sem comprometer necessariamente seu objetivo metabólico predominante. Essas variações ampliam o repertório de soluções motoras disponíveis ao organismo e podem contribuir para adaptações biomecânicas e neuromusculares específicas. Em modalidades como corrida, ciclismo e esqui de fundo, modificações na inclinação, na superfície e na frequência dos movimentos alteram a distribuição das forças, o recrutamento muscular e as estratégias de coordenação. A exposição progressiva a diferentes condições permite desenvolver respostas motoras mais flexíveis, particularmente importantes em competições nas quais as demandas externas variam continuamente. Entretanto, a introdução de novos padrões de movimento deve respeitar a capacidade de tolerância dos tecidos, pois alterações aparentemente pequenas na técnica ou no equipamento podem modificar substancialmente a distribuição das cargas mecânicas (SOLA ARJONA, 2026).

A integração de estímulos técnicos e biomecânicos em sessões aeróbias relativamente leves apresenta vantagens relacionadas à disponibilidade de reserva funcional. Quando o exercício é realizado em intensidade submáxima, o atleta dispõe de maior margem para experimentar modificações posturais, ajustes de cadência, alterações de posicionamento e diferentes estratégias de movimento sem a interferência extrema da fadiga metabólica. Essa condição pode facilitar a aprendizagem motora e reduzir a sobreposição entre o estresse mecânico decorrente de uma nova exigência e o estresse fisiológico produzido por intensidades elevadas. Contudo, a baixa intensidade metabólica não elimina o risco de sobrecarga musculoesquelética, especialmente quando o volume é elevado ou quando a mudança biomecânica modifica significativamente o trabalho de estruturas pouco condicionadas. Dessa forma, a progressão das exigências técnicas deve considerar simultaneamente intensidade, duração, frequência e distribuição das cargas locais (SOLA ARJONA, 2026).

A utilização de estímulos ambientais durante o treinamento aeróbio constitui outra estratégia capaz de modificar a natureza das adaptações. O exercício realizado em ambientes quentes impõe demandas adicionais aos sistemas cardiovascular e termorregulatório, pois a necessidade de dissipar calor aumenta a participação da circulação cutânea e pode intensificar a competição funcional entre perfusão muscular e termorregulação. A exposição repetida ao calor, quando adequadamente controlada, favorece adaptações que melhoram a tolerância ao estresse térmico e reduzem determinadas perturbações fisiológicas durante exercícios subsequentes. De maneira semelhante, a exposição à altitude ou à hipóxia modifica a disponibilidade de oxigênio e pode induzir respostas adaptativas específicas, embora sua magnitude dependa da dose hipóxica, do estado de treinamento e das características individuais. A associação desses estímulos com exercícios de baixa intensidade pode facilitar o controle da carga global, mas não elimina a necessidade de monitorar a recuperação e a tolerância fisiológica (SOLA ARJONA, 2026).

A manipulação da disponibilidade de carboidratos também pode modificar as respostas metabólicas ao exercício prolongado. Sessões realizadas com reservas reduzidas de glicogênio podem aumentar a dependência relativa da oxidação lipídica e alterar os sinais celulares associados à regulação do metabolismo energético. Entretanto, a capacidade de oxidar maiores quantidades de gordura não constitui, isoladamente, garantia de melhor desempenho competitivo. Em intensidades elevadas, a utilização de carboidratos permanece fundamental para sustentar altas taxas de ressíntese de ATP. Consequentemente, a flexibilidade metabólica deve ser entendida como a capacidade de ajustar dinamicamente a utilização dos substratos às exigências do exercício, preservando tanto a oxidação lipídica durante esforços prolongados quanto a disponibilidade de carboidratos quando a intensidade aumenta. Essa interpretação encontra correspondência nas observações fisiológicas apresentadas por Álvarez-Herms e Jornet (2024), que analisaram as demandas metabólicas extraordinárias associadas ao desempenho de Kilian Jornet no Ultra-Trail du Mont-Blanc de 2022.

A integração entre capacidade aeróbia e desempenho prolongado torna-se particularmente evidente quando se considera o conceito de durabilidade. Tradicionalmente, a avaliação fisiológica de atletas de endurance concentra-se em variáveis obtidas em condições relativamente controladas e, frequentemente, antes da instalação de fadiga substancial. Entretanto, a capacidade de produzir elevada potência ou velocidade em condições de repouso relativo não assegura a preservação dessas características após várias horas de exercício. A durabilidade procura preencher essa lacuna ao descrever como o perfil fisiológico e o desempenho se modificam com o acúmulo de trabalho e de estresse. Sua relevância decorre do fato de que competições prolongadas frequentemente são decididas quando a capacidade funcional já se encontra modificada pela depleção de substratos, pelo estresse térmico, pelas alterações neuromusculares e pela progressão da percepção de esforço (MAUNDER et al., 2021; JONES, 2024).

A literatura científica apresenta diferentes interpretações operacionais da durabilidade, refletindo a natureza multidimensional do fenômeno. Uma abordagem enfatiza as alterações de indicadores fisiológicos, como VO₂máx, eficiência e respostas metabólicas, após exercício prolongado. Outra considera a redução percentual da potência ou velocidade em testes realizados após determinada carga prévia. Uma terceira dimensão envolve a capacidade de repetir esforços de intensidade semelhante durante uma sessão ou competição, frequentemente denominada repeatability. Finalmente, a relação entre o desempenho em esforços de diferentes durações pode ser utilizada para caracterizar a capacidade de preservar a produção de trabalho à medida que o tempo de exercício aumenta. Embora relacionadas, essas manifestações não são necessariamente equivalentes, pois podem envolver limitações fisiológicas distintas e apresentar sensibilidades diferentes às intervenções de treinamento (MAUNDER et al., 2021; MURIEL et al., 2022; MEIXNER; JOYNER; SPERLICH, 2025).

Jones (2024) propôs compreender a resiliência fisiológica como uma dimensão adicional e relativamente independente do desempenho de endurance. Nessa perspectiva, a capacidade de preservar características fisiológicas diante da fadiga não pode ser inteiramente deduzida dos valores obtidos em condições iniciais. Dois atletas com VO₂máx, limiares e economia de movimento semelhantes podem apresentar respostas substancialmente diferentes após várias horas de exercício, especialmente quando expostos a demandas ambientais ou nutricionais distintas. A deterioração progressiva das propriedades fisiológicas pode alterar a relação entre intensidade externa e custo interno, fazendo com que uma potência inicialmente confortável passe a exigir maior participação relativa da capacidade funcional disponível. A durabilidade representa, portanto, uma dimensão dinâmica da aptidão aeróbia, relacionada à estabilidade das respostas do organismo diante de perturbações prolongadas (JONES, 2024; MAUNDER et al., 2021).

Uma distinção conceitual relevante envolve a durabilidade relativa e a capacidade absoluta de desempenho após fadiga. A durabilidade relativa descreve a proporção da capacidade funcional preservada após determinada exposição ao exercício. Um atleta que sustenta 90% de sua potência inicial após uma carga prolongada apresenta menor perda relativa do que outro que preserva apenas 85%. Entretanto, essa comparação não informa necessariamente qual deles produzirá maior potência absoluta ao final da sessão. Se o segundo atleta apresentar capacidade inicial substancialmente superior, poderá manter potência absoluta mais elevada apesar da maior redução percentual. Consequentemente, a interpretação do desempenho exige considerar simultaneamente o nível funcional inicial e a magnitude de sua deterioração. Essa distinção é especialmente importante na comparação entre atletas de diferentes perfis fisiológicos e níveis competitivos (SOLA ARJONA, 2026; MATEO-MARCH et al., 2025).

A análise das curvas potência-duração oferece uma possibilidade adicional de caracterização do perfil de resistência. Essas relações descrevem a redução da potência máxima sustentável à medida que aumenta a duração do esforço, permitindo identificar diferenças entre atletas com maior capacidade de produção de potência em esforços curtos e aqueles que preservam proporções relativamente elevadas dessa capacidade em durações prolongadas. Entretanto, a inclinação da curva não deve ser confundida com uma medida direta e exclusiva da resistência à fadiga acumulada, pois desempenhos máximos obtidos em diferentes durações, mesmo em condições de recuperação adequada, não reproduzem necessariamente as alterações fisiológicas produzidas por várias horas de exercício prévio. Assim, a modelagem potência-duração e os testes realizados após fadiga fornecem informações complementares sobre a aptidão de endurance (SOLA ARJONA, 2026; MEIXNER; JOYNER; SPERLICH, 2025).

A interpretação da durabilidade também exige distinguir trabalho mecânico acumulado de fadiga fisiológica. No ciclismo, a quantidade de trabalho externo é frequentemente expressa em quilojoules, enquanto índices compostos de carga procuram representar o estresse produzido pela combinação entre intensidade e duração. Entretanto, o trabalho acumulado não corresponde diretamente à magnitude da fadiga. A realização de 2.000 kJ em intensidade relativamente baixa pode produzir respostas fisiológicas muito diferentes da execução da mesma quantidade de trabalho em intensidades elevadas ou com grande variabilidade de potência. O recrutamento muscular, a velocidade de utilização dos substratos, a produção de calor, a perturbação do equilíbrio ácido-base e a exigência neuromuscular são influenciados pela intensidade e pelo padrão temporal do exercício. Consequentemente, comparar a perda de desempenho após quantidades idênticas de trabalho, sem controlar essas variáveis, pode produzir interpretações inadequadas sobre diferenças individuais de durabilidade (SOLA ARJONA, 2026).

Essa limitação assume importância especial em modalidades caracterizadas por demandas intermitentes ou estocásticas, como o ciclismo de estrada. Durante uma competição, os atletas podem acumular quantidades semelhantes de trabalho externo, mas experimentar graus distintos de estresse relativo em razão das diferenças individuais de capacidade aeróbia, potência crítica, eficiência e reservas energéticas. Um ciclista com maior capacidade funcional pode realizar determinada potência absoluta utilizando uma fração menor de sua capacidade máxima sustentável, preservando recursos fisiológicos para momentos decisivos. Dessa forma, o desempenho superior após várias horas de competição pode resultar tanto de menor deterioração relativa quanto de maior capacidade inicial. A interpretação adequada desses resultados requer separar, sempre que possível, as contribuições da aptidão aeróbia absoluta e da resistência específica à fadiga (MURIEL et al., 2022; MATEO-MARCH et al., 2025; SOLA ARJONA, 2026).

A padronização dos procedimentos de avaliação constitui requisito essencial para investigar modificações na durabilidade. Testes realizados após sessões prévias de exercício podem oferecer informações relevantes, desde que sejam controlados a intensidade, a duração, o trabalho acumulado, a disponibilidade de carboidratos, a hidratação, a temperatura ambiental e o estado de recuperação. A utilização de um protocolo prévio reprodutível, seguido de um teste máximo ou submáximo, permite verificar se o atleta consegue sustentar maior potência ou velocidade após exposição semelhante à fadiga. Entretanto, a validade dessa abordagem depende de sua confiabilidade intraindividual e da capacidade de distinguir adaptações fisiológicas reais da variabilidade cotidiana. A avaliação de durabilidade não deve, portanto, limitar-se à comparação isolada de percentuais de perda, mas integrar indicadores de desempenho absoluto e respostas fisiológicas obtidas em condições comparáveis (MAUNDER et al., 2021; SOLA ARJONA, 2026).

As evidências experimentais disponíveis indicam que a durabilidade pode melhorar em resposta a diferentes distribuições de intensidade. Matomäki et al. (2023) observaram melhorias na durabilidade após intervenções de treinamento de endurance de baixa e alta intensidade, demonstrando que a preservação do desempenho após fadiga não depende exclusivamente de exercícios prolongados em intensidades baixas. Esses resultados reforçam a possibilidade de adaptações compartilhadas entre diferentes modalidades de estímulo, particularmente quando ambas promovem melhorias na capacidade aeróbia. Entretanto, a extrapolação desses achados para atletas altamente treinados exige cautela, uma vez que o histórico de treinamento modifica a sensibilidade aos estímulos e a magnitude das adaptações disponíveis. Além disso, ainda não existe consenso suficiente para estabelecer qual distribuição de intensidade produz os maiores ganhos de durabilidade em diferentes populações, modalidades e fases da preparação esportiva (MATOMÄKI et al., 2023; MATOMÄKI, 2024).

A capacidade de sustentar desempenho após fadiga depende de uma rede de determinantes que ultrapassa o metabolismo oxidativo isoladamente. A força muscular máxima, por exemplo, pode influenciar a manutenção da função locomotora ao longo de esforços prolongados. À medida que ocorre fadiga, a capacidade de produzir força por determinadas unidades motoras diminui, exigindo ajustes no recrutamento e na coordenação muscular. Uma reserva funcional de força pode contribuir para que a produção de determinada força externa represente menor fração da capacidade neuromuscular disponível. Entretanto, os benefícios do treinamento de força sobre a durabilidade dependem da especificidade das adaptações e de sua transferência para o padrão mecânico da modalidade. O aumento da força máxima não implica automaticamente redução do custo energético do movimento, embora possa favorecer a manutenção da técnica e a tolerância às demandas musculares prolongadas (SOLA ARJONA, 2026).

A resistência muscular local constitui outro componente importante, especialmente em modalidades nas quais o exercício envolve elevada carga excêntrica. Na corrida em terrenos montanhosos, por exemplo, as descidas impõem demandas mecânicas que podem produzir alterações estruturais e funcionais nas fibras musculares, comprometendo a capacidade subsequente de gerar força. A progressão do dano muscular pode aumentar o desconforto, modificar a coordenação e elevar o custo fisiológico da locomoção, mesmo quando a demanda metabólica externa permanece relativamente constante. Consequentemente, a durabilidade em provas de longa distância depende não apenas da capacidade de produzir ATP, mas também da integridade funcional dos tecidos responsáveis por transformar essa energia em movimento. O condicionamento específico às demandas excêntricas e a gestão adequada da intensidade durante as descidas representam, portanto, componentes relevantes da preparação para competições prolongadas (SOLA ARJONA, 2026).

A termorregulação desempenha papel igualmente importante na preservação do desempenho. Durante exercícios prolongados, parte significativa da energia liberada pelo metabolismo muscular é convertida em calor, cuja dissipação depende de mecanismos cardiovasculares, sudomotores e ambientais. Em condições de calor, a manutenção da temperatura corporal pode exigir maior fluxo sanguíneo cutâneo e aumentar a perda de líquidos, contribuindo para alterações cardiovasculares e para o crescimento progressivo da percepção de esforço. A elevação da temperatura central também pode modificar a tolerância ao exercício e antecipar a redução voluntária da intensidade. Assim, dois atletas com capacidades metabólicas semelhantes podem apresentar desempenhos muito diferentes quando expostos ao mesmo estresse térmico, dependendo de seu estado de aclimatação, hidratação, características antropométricas e eficiência dos mecanismos de dissipação de calor. A durabilidade deve, portanto, ser interpretada como uma propriedade dependente do contexto ambiental, e não exclusivamente como uma característica intrínseca e invariável do atleta (SOLA ARJONA, 2026).

A disponibilidade energética e a flexibilidade metabólica constituem determinantes adicionais da manutenção do desempenho prolongado. À medida que o exercício progride, a redução das reservas de glicogênio pode limitar a capacidade de sustentar intensidades elevadas, especialmente quando a taxa de utilização de carboidratos supera a reposição exógena e a disponibilidade endógena. A elevada capacidade de oxidação lipídica pode contribuir para preservar carboidratos durante esforços submáximos, mas não substitui integralmente sua importância metabólica. Em competições de ultrarresistência, a manutenção do desempenho depende de uma combinação entre elevada capacidade oxidativa, utilização simultânea de diferentes substratos e estratégias nutricionais capazes de sustentar o fornecimento energético. O estudo de Álvarez-Herms e Jornet (2024), baseado em dados fisiológicos obtidos durante uma vitória no Ultra-Trail du Mont-Blanc, ilustra a complexidade dessas exigências e a relevância da capacidade de sustentar elevada produção energética por períodos extraordinariamente prolongados.

A regulação da intensidade ao longo da competição representa uma dimensão funcional da durabilidade. A estratégia de distribuição do esforço, frequentemente denominada pacing, depende da integração entre informações aferentes provenientes dos sistemas fisiológicos, experiência prévia, motivação, percepção de esforço e antecipação das demandas futuras. A escolha de uma intensidade excessivamente elevada nas fases iniciais pode acelerar a utilização de substratos, intensificar a produção de calor e aumentar a perturbação neuromuscular, comprometendo o desempenho posterior. Em contrapartida, a capacidade de ajustar continuamente a intensidade às condições internas e externas permite preservar recursos e reduzir o risco de deterioração abrupta. A resistência à fadiga envolve, portanto, não apenas a manutenção das propriedades fisiológicas, mas também a capacidade de utilizar estrategicamente os recursos disponíveis ao longo do exercício (SOLA ARJONA, 2026).

A dimensão perceptiva e cognitiva do desempenho prolongado também merece consideração. A fadiga resulta de processos fisiológicos múltiplos e não pode ser reduzida a uma única variável metabólica ou neuromuscular. Sensações de desconforto, esforço crescente, dor muscular, redução da motivação e sonolência podem modificar a disposição para sustentar determinada intensidade, mesmo quando ainda existe capacidade fisiológica residual. A experiência acumulada em esforços prolongados pode favorecer o reconhecimento dessas sensações e o desenvolvimento de estratégias de autorregulação. Entretanto, a capacidade de tolerar desconforto não deve ser confundida com a necessidade de ignorar sinais de exaustão ou comprometimento orgânico. A preparação psicológica deve integrar-se à avaliação fisiológica e às estratégias de recuperação, preservando a distinção entre desconforto esperado do esforço e manifestações potencialmente prejudiciais à saúde (SOLA ARJONA, 2026).

A associação entre treinamento de força, exercícios aeróbios e estímulos ambientais requer planejamento cuidadoso para evitar interferências negativas decorrentes da sobreposição de cargas. A realização de diferentes estímulos no mesmo dia pode favorecer a organização semanal e preservar períodos destinados à recuperação, mas sua eficácia depende da intensidade, da duração e da sequência das sessões. Exercícios aeróbios prolongados realizados em condições de baixa disponibilidade energética podem comprometer temporariamente a capacidade de produzir força e a qualidade do treinamento neuromuscular subsequente. Por outro lado, sessões aeróbias leves podem coexistir com estímulos de força sem necessariamente produzir interferência significativa. A decisão sobre a combinação dos estímulos deve considerar as adaptações prioritárias, a capacidade individual de recuperação e o momento da periodização, evitando a interpretação de que a simples associação de diferentes modalidades garante adaptações superiores (SOLA ARJONA, 2026).

A discussão sobre a posição dos exercícios intensos dentro de sessões prolongadas exemplifica a necessidade de distinguir especificidade competitiva de eficácia adaptativa. A realização de intervalos após várias horas de exercício reproduz situações nas quais atletas precisam produzir potência elevada em condições de fadiga acumulada. Essa estratégia pode apresentar relevância específica para determinadas competições, mas sua semelhança com a situação competitiva não demonstra, por si só, superioridade na promoção das adaptações responsáveis pela durabilidade. A realização de intervalos intensos em condições de fadiga pode reduzir a potência alcançada, modificar o recrutamento muscular e aumentar o custo de recuperação. Consequentemente, a escolha entre posicionar estímulos intensos no início ou no final das sessões deve considerar o objetivo fisiológico, a especificidade da modalidade e a relação entre benefício esperado e fadiga adicional. As evidências disponíveis ainda não permitem estabelecer uma superioridade geral dos intervalos executados após exercício prolongado para o desenvolvimento da durabilidade (SOLA ARJONA, 2026; MATOMÄKI et al., 2023).

A compreensão da durabilidade como propriedade emergente de múltiplos sistemas fisiológicos também modifica a interpretação das avaliações tradicionais de endurance. O VO₂máx representa um indicador relevante da capacidade máxima integrada de captação, transporte e utilização de oxigênio, enquanto os limiares metabólicos ajudam a caracterizar a relação entre intensidade e estabilidade fisiológica. A economia de movimento expressa o custo energético associado à produção de determinada velocidade ou potência externa. Entretanto, nenhuma dessas variáveis, isoladamente, descreve completamente a capacidade de preservar desempenho após horas de exercício. A deterioração da economia, a redução da capacidade máxima e o deslocamento das respostas metabólicas podem ocorrer em magnitudes diferentes entre indivíduos, mesmo quando seus valores iniciais são semelhantes. Assim, avaliações realizadas antes e depois de cargas prolongadas podem acrescentar uma dimensão temporal à caracterização fisiológica, permitindo investigar não apenas quanto desempenho o atleta é capaz de produzir, mas por quanto tempo consegue preservar as condições necessárias à sua sustentação (MAUNDER et al., 2021; JONES, 2024).

Essa abordagem reforça a importância de interpretar a fadiga como resultado de interações dinâmicas entre diferentes sistemas biológicos. A redução da potência ou velocidade durante o exercício prolongado pode decorrer de limitações energéticas, alterações contráteis, aumento do estresse térmico, modificações cardiovasculares, desconforto musculoesquelético ou estratégias conscientes de autorregulação. Esses mecanismos não atuam necessariamente de forma independente, pois alterações em um sistema podem modificar as exigências impostas aos demais. A redução da eficiência muscular, por exemplo, pode elevar o consumo de oxigênio necessário para manter determinada potência externa, aumentando simultaneamente a demanda cardiovascular e a produção de calor. Da mesma forma, a elevação da temperatura corporal pode intensificar a percepção de esforço e modificar a estratégia de distribuição da intensidade. A durabilidade emerge, portanto, da capacidade do organismo de reorganizar suas respostas funcionais diante de perturbações progressivas, preservando a produção de trabalho apesar das modificações internas (JONES, 2024; MEIXNER; JOYNER; SPERLICH, 2025).

Do ponto de vista da adaptação ao treinamento, essa interpretação implica reconhecer que melhorias na capacidade aeróbia e na durabilidade podem ocorrer simultaneamente, mas não necessariamente em proporções idênticas. O aumento da capacidade oxidativa, da tolerância ao exercício prolongado e da disponibilidade funcional de substratos pode elevar o desempenho absoluto em condições de fadiga. Entretanto, se o desempenho em condições iniciais também aumentar proporcionalmente, a redução percentual após fadiga poderá permanecer semelhante, produzindo a impressão de ausência de melhoria da durabilidade relativa. Por essa razão, a utilização exclusiva de indicadores percentuais pode subestimar ganhos relevantes de desempenho absoluto. A interpretação longitudinal deve considerar tanto a capacidade preservada após a exposição ao exercício quanto as mudanças na resposta relativa à condição inicial, evitando reduzir um fenômeno multidimensional a um único índice (SOLA ARJONA, 2026; MAUNDER et al., 2021).

As diferenças individuais também assumem importância na resposta aos estímulos de treinamento. Atletas com maior capacidade aeróbia inicial, maior experiência em esforços prolongados ou características musculares favoráveis podem apresentar respostas distintas às mesmas sessões. A magnitude da fadiga depende da relação entre carga externa e capacidade funcional individual, de modo que a aplicação de uma potência absoluta idêntica pode representar estímulos fisiológicos profundamente diferentes. Além disso, o estado de recuperação, a disponibilidade energética, o sono e as condições ambientais modificam a resposta a cargas aparentemente semelhantes. A individualização da prescrição exige, portanto, monitoramento contínuo e ajustes progressivos, reconhecendo que o organismo não responde de maneira linear e invariável à repetição de estímulos (SOLA ARJONA, 2026).

A relevância da durabilidade para o desempenho esportivo torna-se especialmente evidente quando se considera que a maioria das competições prolongadas não é decidida exclusivamente pela capacidade máxima apresentada em condições de repouso relativo. O resultado depende da potência ou velocidade que o atleta consegue produzir nos momentos em que as reservas energéticas, a capacidade contrátil e a estabilidade fisiológica já foram desafiadas pelo exercício acumulado. Nesse sentido, a preparação para o endurance deve desenvolver simultaneamente a capacidade de produzir energia por vias oxidativas, a eficiência de sua conversão em trabalho mecânico e a resistência dos sistemas envolvidos à deterioração funcional. A melhoria de qualquer um desses componentes pode contribuir para o desempenho prolongado, mas a magnitude de sua contribuição dependerá das características da modalidade, das condições competitivas e do perfil individual (MAUNDER et al., 2021; JONES, 2024; MATOMÄKI et al., 2023).

A interpretação contemporânea do treinamento aeróbio também permite compreender que a eficiência adaptativa não depende da busca permanente por sessões de elevada intensidade ou de exaustão acentuada. A repetição consistente de estímulos fisiologicamente toleráveis, associada à introdução criteriosa de exercícios intensos, treinamento de força, variações biomecânicas e desafios ambientais, oferece condições para ampliar progressivamente a capacidade funcional do organismo. O volume de treinamento, embora relevante, não constitui uma variável independente de seus custos fisiológicos, pois sua tolerabilidade depende da intensidade, da disponibilidade energética e da recuperação. A prescrição eficaz deve, portanto, otimizar a relação entre estímulo e capacidade de adaptação, evitando tanto a insuficiência de carga quanto o acúmulo de estresse incompatível com a recuperação (SOLA ARJONA, 2026; MATOMÄKI et al., 2023).

Em síntese, a capacidade aeróbia e a durabilidade representam dimensões profundamente interdependentes, mas conceitualmente distintas, do desempenho de endurance. A primeira expressa a capacidade integrada de sustentar a produção oxidativa de energia, enquanto a segunda descreve a preservação das propriedades fisiológicas e do desempenho à medida que o exercício se prolonga e a fadiga se acumula. A durabilidade não pode ser atribuída exclusivamente à densidade mitocondrial, à disponibilidade de glicogênio, à força muscular ou à estabilidade cardiovascular, pois resulta da interação entre múltiplos determinantes metabólicos, neuromusculares, termorregulatórios e perceptivos. Seu desenvolvimento depende de uma preparação capaz de ampliar a capacidade funcional absoluta e reduzir a vulnerabilidade do organismo às perturbações produzidas pelo exercício prolongado. A avaliação integrada dessas dimensões oferece uma perspectiva mais abrangente da aptidão de resistência e contribui para uma prescrição do treinamento fundamentada na fisiologia dos sistemas complexos, na individualização das cargas e na sustentabilidade das adaptações em longo prazo (MAUNDER et al., 2021; JONES, 2024; MEIXNER; JOYNER; SPERLICH, 2025).

Referências bibliográficas

ABASSI, W. et al. Effects of moderate-vs. high-intensity interval training on physical fitness, enjoyment, and affective valence in overweight/obese female adolescents: a pre-/post-test study. European Review for Medical and Pharmacological Sciences, v. 27, n. 9, p. 3809-3822, 2023. DOI: 10.26355/eurrev_202305_32286.

ÁLVAREZ-HERMS, J.; JORNET, K. Physiological data of Kilian Jornet during the victory of UTMB 2022: an exceptional report of maximal metabolical limits. Sports Medicine, v. 54, n. 12, p. 3211-3214, 2024. DOI: 10.1007/s40279-024-02091-4.

HILL, E. E. et al. Exercise and circulating cortisol levels: the intensity threshold effect. Journal of Endocrinological Investigation, v. 31, n. 7, p. 587-591, 2008. DOI: 10.1007/BF03345606.

JONES, A. M. The fourth dimension: physiological resilience as an independent determinant of endurance exercise performance. The Journal of Physiology, v. 602, n. 17, p. 4113-4128, 2024.

MARINO, F. E.; SIBSON, B. E.; LIEBERMAN, D. E. The evolution of human fatigue resistance. Journal of Comparative Physiology B, v. 192, p. 411-422, 2022.

MATEO-MARCH, M. et al. Sex differences in durability: a field-based study in professional cyclists. Journal of Science and Medicine in Sport, 2025.

MATOMÄKI, P. Effects of a 10-week low and high intensity training intervention on performance abilities: with a special reference to durability. 2024. Tese (Doutorado) – University of Jyväskylä, Jyväskylä, 2024. JYU Dissertations, 830. Disponível em: https://urn.fi/URN:ISBN:978-952-86-0317-7.

MATOMÄKI, P. et al. Durability is improved by both low and high intensity endurance training. Frontiers in Physiology, v. 14, art. 1128111, 2023. DOI: 10.3389/fphys.2023.1128111.

MAUNDER, E. et al. The importance of ‘durability’ in the physiological profiling of endurance athletes. Sports Medicine, v. 51, p. 1619-1628, 2021.

MEIXNER, B.; JOYNER, M. J.; SPERLICH, B. Durability, fatigability, repeatability and resilience in endurance sports: definitions, distinctions, and implications. Journal of Applied Physiology, 2025.

MURIEL, X. et al. Durability and repeatability of professional cyclists during a Grand Tour. European Journal of Sport Science, v. 22, p. 1797-1804, 2022.

SOLA ARJONA, Manuel. Zone 2, durability, zone 3? What is the difference and how to develop aerobic capacity: a practical guide to low-intensity training. Training Complex Systems, capítulo 7, parte I, 24 out. 2026.