A publicação das 2026 ESC Guidelines on Cardiac Rehabilitation representa um avanço importante ao reconhecer explicitamente uma limitação que a fisiologia do exercício e a ciência do treinamento já discutem há décadas: a prescrição da intensidade baseada exclusivamente em percentuais de variáveis máximas não garante equivalência fisiológica entre indivíduos. As diretrizes afirmam que, em uma mesma porcentagem da frequência cardíaca de pico, do consumo de oxigênio de pico ou da reserva de frequência cardíaca, podem ocorrer respostas fisiológicas substancialmente diferentes entre indivíduos, aumentando o risco de classificação inadequada do domínio de intensidade. Por essa razão, o documento estabelece preferência pela utilização dos limiares ventilatórios em relação às prescrições convencionais baseadas em percentuais do esforço máximo.
Entretanto, é precisamente nesse ponto que emerge uma contradição metodológica relevante. Depois de reconhecer que a individualização da intensidade deve ser orientada por eventos fisiológicos, e não simplesmente por porcentagens arbitrárias de uma variável máxima, as diretrizes propõem, quando a análise de gases não está disponível, a predição da frequência cardíaca correspondente aos limiares ventilatórios por meio das seguintes equações: FC no VT1 = 4,866 + (0,405 × FCpico) + (0,542 × FCrepouso); e FC no VT2 = −2,606 + (0,773 × FCpico) + (0,254 × FCrepouso). Essas equações foram incorporadas às recomendações da ESC como alternativa para estimar os limiares ventilatórios a partir da frequência cardíaca de repouso e da frequência cardíaca de pico.
A crítica não deve ser dirigida ao uso dessas equações dentro do contexto para o qual foram desenvolvidas, mas à possibilidade de que sua adoção seja interpretada como se representassem um método universal de identificação individual das zonas fisiológicas de exercício. As equações derivam do estudo de Milani et al. (2024), realizado especificamente em pacientes com doença cardiometabólica. A amostra de desenvolvimento incluiu 975 indivíduos, predominantemente homens, com mediana de idade de 69 anos, dos quais 68% apresentavam doença arterial coronariana e aproximadamente 74% utilizavam betabloqueadores. O VO₂pico mediano foi de apenas 18,5 mL·kg⁻¹·min⁻¹ e a frequência cardíaca de pico mediana foi de 122 bpm. Trata-se, portanto, de uma população clínica muito específica, caracterizada predominantemente por idade avançada, doença cardiovascular, baixa capacidade funcional e elevada utilização de fármacos capazes de modificar profundamente a resposta cronotrópica ao exercício.
As próprias características da população estudada devem delimitar a interpretação das equações. A regressão múltipla inicialmente considerou idade, sexo, massa corporal, estatura, potência de pico, frequência cardíaca de pico, frequência cardíaca de repouso, uso de betabloqueadores e diversas condições clínicas. Entretanto, apenas FCpico e FCrepouso permaneceram no modelo final, que apresentou R² de 0,77 para VT1 e 0,88 para VT2 . Esses resultados demonstram capacidade preditiva populacional razoável dentro do contexto investigado, mas não transformam uma estimativa estatística em uma determinação fisiológica individual. Essa distinção é essencial. Uma equação pode apresentar bom desempenho médio em uma população e, ainda assim, produzir erro clinicamente ou esportivamente relevante em indivíduos específicos.
O próprio estudo fornece elementos para essa cautela. Na validação externa, o erro percentual absoluto médio das equações foi de 7,1% para VT1 e 5,0% para VT2. A dispersão individual também é evidente quando se observam os intervalos das estimativas e as análises de concordância. Para a prescrição de exercício em reabilitação cardíaca, essa precisão pode representar uma alternativa pragmática e potencialmente superior às faixas tradicionais baseadas em porcentagens da FCpico. Contudo, para a ciência do treinamento, especialmente quando o objetivo é posicionar com precisão um atleta em relação aos seus domínios fisiológicos, um erro médio dessa magnitude não pode ser interpretado como trivial .
Essa distinção torna-se ainda mais importante porque o artigo que fundamenta as equações reconhece explicitamente que sua finalidade é oferecer um método indireto para determinar a intensidade moderada quando a análise de gases não é possível ou viável. Os próprios autores não apresentam as equações como substitutas universais da determinação direta dos limiares ventilatórios, mas como uma alternativa para a prática de reabilitação cardiovascular. A extrapolação dessa ferramenta para atletas, portanto, representa uma mudança de domínio científico que não está contida na validação original.
Há, adicionalmente, uma questão relacionada à modalidade do exercício que merece atenção. As diretrizes reconhecem que a prescrição deve ser adaptada aos objetivos, às necessidades médicas, às capacidades e ao fenótipo do paciente. Ainda assim, a utilização prática de uma frequência cardíaca estimada a partir de um teste realizado em um ergômetro disponível — frequentemente bicicleta ou esteira — pode induzir à transferência dessa referência para modalidades cuja demanda neuromuscular, recrutamento muscular, economia, postura, massa muscular ativa e relação entre carga externa e resposta fisiológica são diferentes. A equação de Milani et al. (2024) foi desenvolvida a partir de 975 CPET realizados em cicloergômetro e posteriormente validada em uma população que incluiu testes em bicicleta e esteira. Embora os autores tenham encontrado desempenho aceitável em ambas as modalidades, a própria análise reconhece diferenças conhecidas entre cicloergômetro e esteira em FCpico e VO₂pico . Não há, nesses dados, validação equivalente para corrida em condições específicas de treinamento, ciclismo de estrada, mountain bike, remo, natação, esqui, trail running ou outras modalidades nas quais atletas efetivamente treinam e competem.
Para o paciente em reabilitação cardiovascular, a pergunta central é frequentemente: qual intensidade pode ser realizada com segurança e benefício clínico? Para o atleta, a pergunta é diferente: qual estímulo fisiológico específico está sendo produzido, em qual domínio metabólico ele se encontra, qual adaptação se pretende induzir e como essa carga se integra à sequência de treinamento, recuperação e competição? A aparente semelhança entre essas perguntas — ambas envolvem “prescrição de intensidade” — não deve ocultar que pertencem a universos metodológicos distintos.
A ciência do treinamento esportivo não trabalha apenas com a determinação de uma intensidade inicial. Trabalha com a mensuração repetida da resposta individual ao treinamento, com a identificação das fronteiras entre domínios fisiológicos, com a quantificação da carga interna e externa e com a reavaliação contínua da relação entre estímulo e adaptação. Nesse contexto, o atleta não é avaliado em um único episódio isolado. Ele é monitorado longitudinalmente. Potência, velocidade, frequência cardíaca, concentração de lactato, consumo de oxigênio, ventilação, percepção subjetiva de esforço e, quando disponíveis, variáveis musculares ou térmicas são integradas para compreender a resposta daquele indivíduo em situações específicas.
A crítica às prescrições baseadas em porcentagens fixas foi demonstrada de forma particularmente clara por Iannetta et al. (2020). Ao comparar a prescrição por percentuais de VO₂máx, potência de pico e frequência cardíaca máxima com a classificação individual baseada nos domínios fisiológicos, os autores demonstraram ampla variabilidade na localização do limiar de lactato e do MLSS. O LT ocorreu entre 45% e 74% do VO₂máx e entre 60% e 90% da FCmáx, enquanto o MLSS ocorreu entre 69% e 96% do VO₂máx e entre 75% e 97% da FCmáx. Consequentemente, indivíduos exercitando-se na mesma porcentagem de uma variável máxima poderiam, na realidade, estar localizados em domínios fisiológicos completamente diferentes. A conclusão dos autores foi inequívoca: métodos baseados em porcentagens fixas de valores máximos apresentam baixa correspondência com os domínios de intensidade e não controlam adequadamente o estímulo metabólico (IANNETTA et al., 2020).
Essa observação é particularmente relevante porque a proposta das equações adotadas pela ESC resolve apenas parcialmente o problema. Em vez de assumir que, por exemplo, 70% da FCpico corresponde universalmente a determinado limiar, a equação incorpora a frequência cardíaca de repouso e melhora a predição populacional. Contudo, continua sendo uma estimativa indireta de uma fronteira fisiológica individual. Não há acesso direto à resposta ventilatória, ao comportamento do lactato, à cinética do VO₂ ou à estabilidade metabólica naquele indivíduo. A equação prevê onde, em média e dentro das características da população estudada, o limiar provavelmente estaria; ela não mede o limiar.
A diferença entre predizer e identificar é central para o rigor científico. Um limiar ventilatório identificado durante um teste cardiopulmonar representa uma observação da resposta ventilatória e metabólica ao aumento da carga. Uma concentração de lactato medida representa uma resposta fisiológica efetivamente observada. A potência crítica ou velocidade crítica é estimada a partir da relação matemática entre intensidade e tolerância ao exercício. Já uma frequência cardíaca calculada por regressão representa uma inferência estatística. Todas essas ferramentas podem ter utilidade, mas não possuem o mesmo estatuto epistemológico e metodológico.
A estrutura contemporânea dos domínios de intensidade ilustra por que essa diferença importa. Burnley e Jones (2007) demonstraram que o comportamento da cinética do VO₂ muda qualitativamente em função da intensidade do exercício. Acima do limiar de lactato, surge o componente lento do VO₂, com redução progressiva da eficiência; acima da potência crítica, o estado estável da troca gasosa e do equilíbrio ácido-base não pode ser sustentado e o VO₂ tende a aumentar até próximo do VO₂máx. Dessa forma, os domínios de intensidade não representam simplesmente divisões arbitrárias de uma escala percentual, mas regiões associadas a comportamentos fisiológicos distintos e a diferentes mecanismos de fadiga e tolerância ao exercício (BURNLEY; JONES, 2007).
A potência crítica, ou a velocidade crítica quando a variável externa é a velocidade, acrescenta uma dimensão particularmente importante para a compreensão da fronteira superior da capacidade sustentável. Jones et al. (2010) descrevem a potência crítica como um parâmetro derivado da relação potência-tempo, associado à maior taxa de produção de energia que pode ser sustentada sem consumo progressivo da capacidade finita representada por W′. O modelo fornece, portanto, uma estrutura fisiológica e matemática para compreender a transição para o domínio severo, no qual a tolerância ao exercício se torna limitada pela depleção progressiva dessa capacidade finita e pela evolução contínua da perturbação metabólica (JONES et al., 2010).
Isso não significa que todos os atletas precisem realizar protocolos extensos para determinar potência crítica, MLSS, VT1 e VT2 antes de cada ciclo de treinamento. A ciência do treinamento tampouco exige uma complexidade instrumental desnecessária. O princípio fundamental é outro: o método utilizado deve ser proporcional à pergunta que se pretende responder e à precisão necessária para controlar o estímulo. Para uma prescrição clínica inicial em um paciente de baixo condicionamento físico, uma estimativa indireta pode ser suficiente e racional. Para determinar se uma sessão de 40 minutos de corrida de um maratonista deve ocorrer abaixo, dentro ou acima do primeiro limiar fisiológico, ou para controlar precisamente a distribuição semanal entre os domínios de intensidade, a exigência metodológica é diferente.
O trabalho de Seiler e Kjerland (2006) evidencia justamente essa distinção entre a identificação das fronteiras fisiológicas e o monitoramento cotidiano do treinamento. Em esquiadores de cross-country altamente treinados, VT1 e VT2 foram determinados por análise respiratória durante teste incremental, e essas referências foram posteriormente utilizadas para classificar centenas de sessões de treinamento por frequência cardíaca, percepção subjetiva de esforço e, em parte das sessões, concentração de lactato. Os atletas passaram aproximadamente 75% das sessões abaixo de VT1, cerca de 8% entre VT1 e VT2 e aproximadamente 17% acima de VT2 quando classificadas pelo objetivo da sessão. Mais importante que os números específicos, entretanto, é o princípio metodológico: o monitoramento cotidiano não exigia repetir o teste laboratorial em cada sessão, porque os marcadores fisiológicos individuais obtidos no teste eram utilizados como referências para interpretar a carga real de treinamento (SEILER; KJERLAND, 2006).
O mesmo estudo, contudo, também alerta para outro problema frequente: a proliferação de zonas pode criar uma falsa impressão de precisão fisiológica. Os autores observam que sistemas com múltiplas zonas nem sempre estão claramente ancorados em eventos fisiológicos subjacentes, enquanto VT1 e VT2 podem fornecer marcadores úteis para a identificação de três grandes regiões de intensidade associadas a diferenças relevantes na resposta fisiológica, no recrutamento muscular e na tolerância à fadiga. A consequência prática é que não basta transformar uma fórmula em cinco, seis ou sete zonas para tornar a prescrição individualizada. Se as fronteiras iniciais são imprecisas, a multiplicação subsequente das zonas apenas multiplica uma precisão aparente.
A própria ESC, portanto, não deve ser interpretada como adversária da fisiologia individualizada. Pelo contrário, suas diretrizes reconhecem que os limiares ventilatórios são preferíveis às porcentagens de esforço máximo e afirmam que o exercício na mesma fração do limiar produz respostas mais homogêneas entre indivíduos do que o exercício prescrito pela mesma fração da FCpico ou do VO₂pico . O problema surge quando uma solução pragmática desenvolvida para compensar a ausência de análise de gases na reabilitação cardíaca passa a ser apresentada, fora desse contexto, como um novo método universal para “calcular zonas de treinamento”.
Essa transposição é metodologicamente problemática porque modifica simultaneamente a população, o objetivo e a exigência de precisão. A equação foi desenvolvida para pacientes cardiometabólicos e para auxiliar a prescrição quando a determinação direta dos limiares não está disponível. O atleta de endurance, por sua vez, pode apresentar adaptações cardiovasculares, autonômicas, musculares e metabólicas que modificam substancialmente a relação entre frequência cardíaca, potência ou velocidade e as fronteiras fisiológicas. Além disso, sua capacidade de desempenho é influenciada por fatores que ultrapassam amplamente a simples identificação de VT1 e VT2, incluindo economia, eficiência, potência crítica, capacidade anaeróbia, cinética do VO₂, durabilidade e interação entre fadiga acumulada e resposta fisiológica.
É necessário, portanto, preservar a competência e o objeto de cada área. A avaliação médica possui papel insubstituível na estratificação de risco, no diagnóstico, na identificação de isquemia, arritmias, incompetência cronotrópica, alterações hemodinâmicas e outras condições que determinam a segurança da prática de exercício. A ciência do treinamento, por sua vez, desenvolveu métodos próprios para responder a outra pergunta: como medir, quantificar, prescrever, monitorar e reajustar sistematicamente a carga para produzir adaptações específicas de desempenho? Não há hierarquia necessária entre essas competências, mas também não há equivalência metodológica entre elas.
Um cardiologista pode utilizar uma equação preditiva para estabelecer uma faixa inicial segura e clinicamente apropriada para um paciente. Isso pode ser inteiramente justificável. O problema aparece quando essa mesma metodologia é deslocada para o atleta e apresentada como equivalente à determinação individual dos domínios de intensidade ou à prescrição esportiva baseada em fisiologia do exercício. Da mesma forma, um fisiologista ou cientista do esporte não deve pretender substituir a avaliação cardiovascular quando esta é necessária. São competências complementares, mas não intercambiáveis.
A fronteira adequada, portanto, não deveria ser uma disputa territorial entre medicina e ciência do treinamento, mas uma delimitação epistemológica clara. A medicina clínica avalia risco, doença, segurança e capacidade funcional; a ciência do treinamento investiga a resposta individual ao estímulo, quantifica a carga, identifica domínios fisiológicos e organiza a manipulação longitudinal das variáveis de treinamento. Um mesmo indivíduo pode necessitar das duas abordagens, particularmente o atleta master, o atleta com fatores de risco ou o paciente que pretende retornar ao esporte competitivo. Mas a integração das áreas não deve significar a diluição de seus métodos.
Nesse sentido, a incorporação das equações de Milani et al. (2024) às diretrizes da ESC deve ser interpretada de acordo com seu contexto original: uma estratégia pragmática para estimar a frequência cardíaca associada aos limiares ventilatórios em pacientes cardiometabólicos quando a análise de gases não está disponível. O seu valor clínico não depende de transformá-la em uma ferramenta universal. Pelo contrário, sua utilidade pode ser preservada precisamente quando seus limites são reconhecidos. O erro seria converter uma equação de predição populacional em um suposto instrumento de fenotipagem fisiológica individual, sobretudo quando aplicada a atletas e a modalidades para as quais não foi especificamente desenvolvida ou validada.
A individualização real da intensidade no treinamento de endurance não começa com uma fórmula; começa com a pergunta fisiológica correta. Dependendo do objetivo, essa resposta poderá exigir CPET, análise dos limiares ventilatórios, lactato sanguíneo, potência ou velocidade crítica, testes de carga constante, monitoramento longitudinal da frequência cardíaca, potência ou velocidade, percepção subjetiva de esforço e análise da resposta à fadiga. Nenhuma dessas variáveis, isoladamente, é suficiente para explicar toda a complexidade da adaptação ao treinamento. Contudo, a combinação criteriosa de medidas diretas e indiretas é metodologicamente superior à suposição de que dois números derivados de FCpico e FCrepouso possam representar, universalmente, as fronteiras metabólicas individuais de qualquer ser humano submetido ao exercício.
O princípio que deveria orientar a integração entre medicina do exercício e ciência do treinamento é, portanto, simples, embora metodologicamente exigente: cada método deve ser utilizado para responder à pergunta para a qual foi desenvolvido e validado. A avaliação clínica não deve ser depreciada por não pretender realizar a função da ciência do treinamento, assim como a ciência do treinamento não deve aceitar que instrumentos desenvolvidos para a pragmática da reabilitação cardiovascular sejam automaticamente elevados à condição de padrão para a prescrição de atletas. A aproximação entre os dois campos é desejável; a substituição metodológica de um pelo outro, não. Em última análise, a verdadeira interdisciplinaridade não ocorre quando todos fazem a mesma coisa, mas quando cada área contribui com aquilo que seus métodos permitem conhecer com maior rigor.
Referências
BÄCK, Maria et al. 2026 ESC Guidelines on cardiac rehabilitation. European Heart Journal, Oxford, 2026. DOI: 10.1093/eurheartj/ehag099.
BURNLEY, Mark; JONES, Andrew M. Oxygen uptake kinetics as a determinant of sports performance. European Journal of Sport Science, v. 7, n. 2, p. 63-79, 2007. DOI: 10.1080/17461390701456148.
IANNETTA, Danilo et al. A critical evaluation of current methods for exercise prescription in women and men. Medicine & Science in Sports & Exercise, 2020. DOI: 10.1249/MSS.0000000000002147.
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SEILER, Stephen; KJERLAND, Glenn Øvrevik. Quantifying training intensity distribution in elite endurance athletes: is there evidence for an “optimal” distribution? Scandinavian Journal of Medicine & Science in Sports, v. 16, n. 1, p. 49-56, 2006. DOI: 10.1111/j.1600-0838.2004.00418.x.