Da Fosfocreatina ao Lactato: Continuidade da Perturbação Metabólica e Sinalização da Hipertrofia Muscular

por | ago 28, 2026

A hipertrofia do músculo esquelético representa o resultado de um balanço proteico cumulativamente positivo, no qual, ao longo de sucessivos ciclos de recuperação, a síntese de proteínas musculares supera sua degradação. O exercício resistido constitui um dos principais estímulos capazes de deslocar esse balanço em direção ao anabolismo, desencadeando uma complexa rede de mecanismos que convertem a atividade contrátil em alterações moleculares, translacionais e estruturais. Nesse processo, a tensão mecânica permanece o estímulo mais solidamente estabelecido, sendo capaz de ativar mecanismos de mecanotransdução que convergem, entre outras vias, para a ativação do complexo mechanistic target of rapamycin 1 (mTORC1) e de seus efetores downstream, como p70S6K/S6K1, proteína ribossomal S6 e 4E-BP1, aumentando a capacidade translacional da fibra muscular. Entretanto, o fato de a tensão mecânica constituir o principal estímulo não implica que as condições metabólicas sob as quais essa tensão é aplicada sejam biologicamente irrelevantes. A própria hipertrofia induzida pelo treinamento resistido deve ser compreendida como produto da integração entre mecanotransdução, recrutamento e fadiga das unidades motoras, disponibilidade energética, fluxos intracelulares de Ca²⁺ e múltiplos sinais metabólicos e redox. (MIYAZAKI; ESSER, 2009; BODINE et al., 2001; OGASAWARA et al., 2016).

Essa integração torna-se particularmente relevante quando se considera um protocolo constituído por múltiplas séries realizadas com cargas próximas ao máximo para determinado número de repetições e com intervalos de recuperação curtos. Durante uma série intensa, a demanda por ATP aumenta imediatamente, sendo inicialmente sustentada pela hidrólise de ATP intramuscular e pela rápida transferência de fosfato da fosfocreatina (PCr) para o ADP. Entretanto, à medida que a contração se prolonga e a reserva disponível de PCr diminui, aumenta a participação relativa da fosforilação glicolítica. Quando o intervalo entre séries é insuficiente para a ressíntese completa da PCr e para a restauração da homeostase intramuscular, a série subsequente inicia-se em uma condição bioenergética diferente daquela observada na primeira. Há menor disponibilidade relativa de PCr, persistência de metabólitos produzidos durante o esforço anterior e necessidade de recorrer precocemente à glicólise para sustentar a ressíntese de ATP. Assim, a restrição do intervalo não cria simplesmente “mais fadiga”, mas estabelece uma continuidade parcial da perturbação metabólica entre séries sucessivas.

Nesse contexto, é importante abandonar a formulação simplificada segundo a qual a redução do intervalo de descanso “sobrecarrega o metabolismo glicolítico lático”. A expressão mais adequada é que a recuperação incompleta da PCr aumenta a dependência relativa da glicólise para a manutenção da ressíntese de ATP nas séries subsequentes. O aumento do fluxo glicolítico resulta em maior produção de piruvato e lactato, ao mesmo tempo em que se acumulam ou se alteram outros componentes do ambiente metabólico, incluindo fosfato inorgânico (Pi), ADP, alterações no estado redox e na concentração de prótons, além de modificações transitórias da disponibilidade de oxigênio e do fluxo sanguíneo intramuscular. Portanto, o lactato não surge isoladamente: ele integra um conjunto de alterações que caracteriza o chamado estresse ou perturbação metabólica. A revisão clássica sobre o tema identificou precisamente o acúmulo de lactato, Pi e H⁺, associado à hipóxia muscular transitória, como componentes centrais dessa condição metabólica induzida pelo exercício resistido. (SCHOENFELD, 2013).

A hipótese de que o lactato possa participar diretamente da resposta hipertrófica surgiu, em parte, da transformação conceitual ocorrida nas últimas décadas. Durante muito tempo, o lactato foi interpretado predominantemente como produto terminal indesejável do metabolismo anaeróbio. Essa visão foi progressivamente substituída por um modelo no qual o lactato é reconhecido simultaneamente como substrato metabólico, intermediário de transporte de carbono entre células e tecidos e molécula potencialmente envolvida em processos de sinalização. Há evidências de que o músculo esquelético expressa mecanismos capazes de responder à presença do lactato, e trabalhos experimentais passaram a demonstrar efeitos do metabólito sobre adaptações celulares e metabólicas. Dessa forma, a hipótese de uma função sinalizadora do lactato é biologicamente plausível e não deve ser descartada apenas porque o metabólito é produzido durante condições de elevada demanda energética. (BROOKS, 2018; FERGUSON et al., 2018).

A relação entre lactato e hipertrofia ganhou consistência experimental inicial a partir de estudos celulares e animais. Em células C2C12, o lactato foi associado ao aumento do diâmetro dos miotubos, enquanto estudos in vivo em músculo de camundongos relataram ativação de vias intracelulares anabólicas após a administração de lactato. Esses achados foram particularmente relevantes porque conectavam uma molécula produzida em grande quantidade durante exercícios glicolíticos a elementos moleculares relacionados ao crescimento muscular. Além disso, a hipótese recebeu suporte indireto da observação de que a inibição da glicólise atenua o aumento agudo da atividade de sinalização relacionada ao mTOR e da síntese proteica induzida por contrações musculares, sugerindo que produtos ou consequências do metabolismo glicolítico podem participar do ambiente permissivo à resposta anabólica. Entretanto, essa última observação não identifica o lactato como responsável específico, pois a inibição da glicólise modifica simultaneamente todo o estado energético e metabólico da fibra muscular. (CERDA-KOHLER et al., 2018; OHNO et al., 2018; SUGINOHARA et al., 2021).

É precisamente nesse ponto que a literatura mais recente impõe uma interpretação mais cautelosa. A hipótese inicial não era irracional: se o lactato aumenta durante o exercício resistido, apresenta propriedades de sinalização, produz efeitos em modelos celulares e havia sido associado à ativação de vias anabólicas em modelos animais, seria plausível supor que sua elevação pudesse potencializar a síntese proteica e, cronicamente, a hipertrofia. Contudo, estudos desenhados para testar essa hipótese de forma mais direta produziram resultados predominantemente negativos. Em humanos, Liegnell et al. (2020) elevaram experimentalmente a concentração plasmática de lactato durante exercício resistido por meio da infusão de lactato de sódio. Apesar de o lactato sanguíneo pós-exercício ter sido substancialmente maior na condição experimental, o exercício induziu aumentos semelhantes na fosforilação de mTOR, S6K1 e ERK nos grupos que receberam lactato ou solução salina, e a taxa fracionada de síntese proteica durante as 24 horas subsequentes também não diferiu entre as condições. Assim, a elevação exógena do lactato circulante não potencializou a resposta anabólica do músculo humano em contração. (LIEGNELL et al., 2020).

Resultados semelhantes foram obtidos em modelos animais. Shirai et al. (2022) investigaram tanto a resposta aguda à contração muscular intensa quanto a hipertrofia crônica induzida por sobrecarga mecânica. A administração de lactato não aumentou o ganho de massa muscular nem a área de secção transversa das fibras induzidos pela sobrecarga. Do mesmo modo, embora a contração muscular tenha aumentado a síntese proteica e a fosforilação de p70S6K e S6, a administração de lactato não potencializou essas respostas. Os próprios autores concluíram que seus resultados não sustentavam a hipótese de que a elevação da concentração sanguínea de lactato induzisse ou amplificasse a resposta de síntese proteica no músculo esquelético. (SHIRAI et al., 2022).

Portanto, a interpretação mais correta não é que a hipótese do lactato como molécula sinalizadora tenha sido “refutada” em sentido absoluto, mas que a hipótese mais específica de que o aumento isolado do lactato circulante seja suficiente para potencializar a sinalização anabólica, a síntese proteica ou a hipertrofia induzida pelo exercício resistido não foi confirmada. Essa distinção é fundamental. Um metabólito pode possuir propriedades sinalizadoras e, ainda assim, não reproduzir isoladamente a complexa resposta fisiológica produzida pela contração muscular. O próprio trabalho mais recente sobre sobrecarga mecânica combinada com exercício intervalado de alta intensidade reconhece que o lactato aumenta o diâmetro de miotubos em modelos celulares e que estudos anteriores demonstraram ativação de sinalização relacionada ao mTOR em camundongos, mas enfatiza que a administração exógena não promoveu crescimento muscular em camundongos ou humanos. Os autores levantam, portanto, a possibilidade de que, caso exista algum papel fisiológico do lactato durante o exercício, esse efeito dependa do contexto intracelular e da coexistência de outros produtos da glicólise e sinais derivados da própria contração. (SHINKAI et al., 2025).

Essa possibilidade conduz a uma questão central: se o lactato isolado não parece aumentar a hipertrofia, o que se entende por “estresse metabólico” e quais seriam os potenciais mediadores de seus efeitos? O estresse metabólico não é uma molécula única, mas um estado fisiológico caracterizado por alterações simultâneas na disponibilidade e utilização de substratos energéticos, no equilíbrio ácido-base, nas concentrações de metabólitos, no estado redox, no fluxo sanguíneo local e no ambiente iônico e celular. Entre os candidatos propostos encontram-se o próprio lactato, Pi, ADP, alterações relacionadas ao AMP e à ativação de AMPK, espécies reativas de oxigênio, hipóxia local, alterações no Ca²⁺ intracelular e fatores autócrinos e parácrinos liberados durante ou após a contração. A contribuição de cada um desses componentes, entretanto, não é necessariamente anabólica; alguns podem constituir sinais permissivos, outros podem participar da fadiga e alguns, quando excessivamente ativados, podem até antagonizar processos associados à síntese proteica.

As espécies reativas de oxigênio constituem um exemplo particularmente interessante dessa dualidade. Em concentrações fisiológicas e espacialmente controladas, ROS podem atuar como segundos mensageiros e modular vias sensíveis ao estado redox. Entretanto, um aumento excessivo pode promover dano oxidativo e comprometer a função celular. O mesmo princípio se aplica ao estado energético: uma perturbação moderada pode coexistir com sinalização adaptativa, enquanto uma perturbação energética muito intensa pode ativar AMPK, que, dependendo do contexto, pode inibir elementos da sinalização associada ao mTORC1. Assim, não existe uma relação necessariamente linear entre estresse metabólico e hipertrofia. Mais perturbação metabólica não significa automaticamente mais crescimento muscular. Estudos recentes em modelos de sobrecarga mecânica mostram, inclusive, que a ativação de AMPK pelo exercício de alta intensidade não necessariamente reduz a sinalização downstream do mTORC1, evidenciando que a interação entre esses sistemas é dependente da magnitude, duração e contexto do estímulo. (SHINKAI et al., 2025).

A hipótese do estresse metabólico também recebeu sustentação indireta a partir do treinamento resistido com restrição do fluxo sanguíneo. Nessa condição, cargas relativamente baixas podem produzir hipertrofia significativa quando associadas à oclusão parcial do fluxo, situação que intensifica a fadiga metabólica e acelera a incapacidade das fibras inicialmente recrutadas de sustentar a produção de força. Uma interpretação tradicional atribuiu parte desse efeito ao acúmulo de metabólitos. Contudo, uma interpretação mecanisticamente mais consistente considera que a perturbação metabólica induz fadiga precoce, exigindo o recrutamento progressivo de unidades motoras de maior limiar para manter a tarefa. Consequentemente, fibras que normalmente poderiam permanecer pouco recrutadas em uma tarefa de baixa carga passam a ser ativadas e, uma vez recrutadas, ficam expostas à tensão mecânica. Assim, o estresse metabólico poderia participar indiretamente da hipertrofia não por substituir a tensão mecânica, mas por modificar a sequência temporal e o grau de recrutamento das fibras musculares. (SCHOENFELD, 2013; VAN EVERY et al., 2026).

Essa interpretação é reforçada pelo fato de que o aumento isolado do estresse metabólico não demonstrou efeito aditivo consistente sobre a hipertrofia quando a tensão mecânica e o volume são controlados. Uma análise recente discutiu estudos nos quais a adição de restrição do fluxo sanguíneo ao treinamento com cargas elevadas aumentou marcadores de estresse metabólico sem produzir hipertrofia adicional em comparação ao treinamento convencional volume-equivalente. A mesma análise observa que modalidades capazes de produzir concentrações elevadas de metabólitos, como exercício intervalado intenso, sprint e exercício de endurance, não produzem, em geral, a mesma magnitude de hipertrofia observada no treinamento resistido. Além disso, a restrição do fluxo aplicada sem contração resistida não estimula adequadamente a síntese proteica nem previne a atrofia durante o repouso prolongado. Esses achados enfraquecem a hipótese de que metabólitos isoladamente constituam um estímulo hipertrófico independente e apontam para a necessidade da interação entre o ambiente metabólico e a ativação mecânica efetiva das fibras. (VAN EVERY et al., 2026).

A discussão sobre o intervalo de recuperação entre séries deve ser interpretada dentro dessa mesma lógica integrativa. A comparação entre um e três minutos de descanso é informativa, mas não deve ser confundida com uma comparação entre recuperação incompleta e recuperação metabólica praticamente total. Um minuto de intervalo provavelmente mantém maior perturbação metabólica residual e menor recuperação da PCr do que três minutos. Todavia, três minutos não equivalem fisiologicamente a quinze minutos, e não existe fundamento para extrapolar automaticamente resultados obtidos entre intervalos de um, dois, três ou cinco minutos para intervalos extremamente longos. Em outras palavras, o fato de um estudo não demonstrar superioridade de um minuto sobre três minutos não significa que quinze minutos entre todas as séries produziria necessariamente a mesma resposta hipertrófica. Essa é uma inferência que exigiria investigação experimental específica.

Os estudos disponíveis mostram, de fato, resultados heterogêneos quando diferentes intervalos são comparados. Schoenfeld et al. (2016), por exemplo, compararam diretamente um e três minutos em homens treinados, mantendo constantes as demais variáveis programadas do treinamento. Após oito semanas, o grupo que descansava três minutos apresentou maiores ganhos de força e maior aumento da espessura muscular da coxa anterior, com tendência semelhante para o tríceps braquial. Os autores discutiram que a superioridade do intervalo maior poderia estar relacionada à melhor manutenção do desempenho e do volume de treinamento, ao mesmo tempo em que reconheceram que diferentes estudos utilizando dois versus cinco minutos ou um versus quatro minutos haviam produzido resultados distintos. Assim, os dados não sustentam a ideia simples de que “intervalos curtos são hipertróficos porque produzem mais lactato”. (SCHOENFELD et al., 2016).

Essa questão torna-se ainda mais interessante quando se considera a possibilidade de uma relação não linear entre o intervalo de recuperação e o estímulo adaptativo. Um intervalo excessivamente curto pode aumentar a continuidade da perturbação metabólica, mas também reduzir a capacidade de manter carga, número de repetições e qualidade mecânica das séries subsequentes. Por outro lado, um intervalo suficientemente longo permite maior recuperação da PCr e melhor preservação do desempenho, mas intervalos extremamente prolongados podem reduzir a continuidade metabólica entre as séries. A pergunta cientificamente relevante, portanto, não é simplesmente se “um minuto é melhor do que três”, mas se existe uma faixa de recuperação capaz de preservar uma quantidade adequada de trabalho mecânico enquanto mantém determinadas características metabólicas que possam modular a resposta adaptativa. A literatura atual ainda não permite estabelecer com precisão onde se localizaria esse eventual ponto ótimo, especialmente porque comparações envolvendo intervalos extremamente longos, como quinze minutos, são escassas ou inexistentes nos desenhos tradicionais de treinamento.

A evidência sobre hipóxia reforça a necessidade dessa interpretação contextual. A meta-análise de Benavente et al. (2023), reunindo dezessete estudos, encontrou resultados globais semelhantes para hipertrofia e força entre treinamento resistido realizado em hipóxia e em normóxia. Entretanto, análises secundárias sugeriram pequeno efeito favorável à hipertrofia em determinadas combinações, particularmente com intervalos mais curtos, hipóxia moderada e cargas moderadas. Esses resultados são compatíveis com a possibilidade de que o ambiente metabólico possa modificar a resposta adaptativa, mas não demonstram que a hipóxia ou o estresse metabólico isoladamente sejam suficientes para causar maior hipertrofia. Pelo contrário, a heterogeneidade dos resultados sugere que esses fatores atuam em interação com carga, volume, proximidade da falha, intervalo de recuperação e padrão de recrutamento muscular. (BENAVENTE et al., 2023).

Dessa forma, um modelo fisiológico mais consistente para séries realizadas próximas da falha com intervalos curtos pode ser descrito como uma sequência integrada. A primeira série promove elevada demanda energética, utilização de PCr, aumento progressivo da contribuição glicolítica, fadiga e recrutamento adicional de unidades motoras. Se o intervalo é curto, a série seguinte começa antes da recuperação completa da PCr e da restauração integral da homeostase metabólica. A nova contração, portanto, é executada em uma fibra que já apresenta perturbação metabólica residual. A necessidade de sustentar a produção de força em condições de fadiga pode acelerar o recrutamento de unidades motoras adicionais, expondo um número maior de fibras à tensão mecânica. Simultaneamente, essas fibras são submetidas a alterações em Ca²⁺, estado energético, metabolismo redox e disponibilidade local de oxigênio. O lactato é parte desse ambiente, podendo possuir funções metabólicas e sinalizadoras, mas as evidências disponíveis não permitem atribuir-lhe o papel de mediador causal isolado da hipertrofia.

A conclusão mais rigorosa, portanto, situa-se entre dois extremos. Seria incorreto afirmar que o lactato é apenas um produto metabólico inerte e irrelevante, pois existe evidência experimental de suas propriedades de sinalização e de sua capacidade de modular respostas celulares. Também seria incorreto afirmar que o aumento do lactato durante o treinamento resistido constitui, por si só, um mecanismo causal comprovado de síntese proteica e hipertrofia. Os dados mais recentes obtidos mediante elevação exógena do lactato em humanos e animais não confirmaram a hipótese de que o aumento isolado de sua concentração potencialize mTORC1, S6K1, ERK, síntese proteica ou hipertrofia. A interpretação mais plausível é que, se o lactato participa da adaptação hipertrófica, sua ação provavelmente ocorre como componente de uma rede dependente do contexto da contração, da tensão mecânica, do recrutamento das fibras e de múltiplos sinais metabólicos simultâneos, e não como um interruptor anabólico autônomo. (LIEGNELL et al., 2020; SHIRAI et al., 2022).

Em síntese, a restrição do intervalo entre séries deve ser compreendida como uma manipulação que altera o ponto de partida metabólico da série subsequente. Ao reduzir a recuperação da PCr e preservar parcialmente a perturbação metabólica, o intervalo curto modifica as condições sob as quais a tensão mecânica é novamente aplicada. Isso pode alterar a cinética da fadiga e do recrutamento de unidades motoras e, potencialmente, modular múltiplas vias de sinalização. Contudo, se a redução do intervalo comprometer excessivamente a carga ou o volume efetivamente realizados, o aumento do estresse metabólico não necessariamente compensará a redução do estímulo mecânico. A hipertrofia parece, assim, emergir não da maximização isolada de lactato, de hipóxia, de “pump” ou de qualquer outro metabólito, mas da interação entre tensão mecânica efetivamente aplicada às fibras recrutadas, volume de exposição ao estímulo, proximidade da falha, disponibilidade energética e contexto metabólico no qual a contração ocorre. O lactato permanece, nesse modelo, como um candidato biologicamente interessante à sinalização adaptativa, mas sua contribuição quantitativa e causal para a hipertrofia humana ainda permanece uma questão aberta.

Referências

BENAVENTE, Cristina; SCHOENFELD, Brad J.; PADIAL, Paulino; FERICHE, Belén. Efficacy of resistance training in hypoxia on muscle hypertrophy and strength development: a systematic review with meta-analysis. Scientific Reports, v. 13, art. 3676, 2023. DOI: 10.1038/s41598-023-30808-4.

BODINE, Steven C. et al. Akt/mTOR pathway is a crucial regulator of skeletal muscle hypertrophy and can prevent muscle atrophy in vivo. Nature Cell Biology, v. 3, n. 11, p. 1014-1019, 2001.

BROOKS, George A. The science and translation of the lactate shuttle theory. Cell Metabolism, v. 27, n. 4, p. 757-785, 2018.

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MIYAZAKI, Miho; ESSER, Karyn A. Cellular mechanisms regulating protein synthesis and skeletal muscle hypertrophy in animals. Journal of Applied Physiology, 2009.

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OGASAWARA, Riki et al. Mechanisms underlying resistance exercise-induced muscle hypertrophy. Journal of Applied Physiology, 2016.

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SCHOENFELD, Brad J. et al. Longer interset rest periods enhance muscle strength and hypertrophy in resistance-trained men. Journal of Strength and Conditioning Research, v. 30, n. 7, p. 1805-1812, 2016.

SHINKAI, Hayato et al. Combined effects of mechanical overload and high-intensity interval training on skeletal muscle hypertrophy in male mice. Physiological Reports, v. 13, e70542, 2025. DOI: 10.14814/phy2.70542.

SHIRAI, Takanaga et al. Effects of lactate administration on hypertrophy and mTOR signaling activation in mouse skeletal muscle. Physiological Reports, v. 10, e15436, 2022. DOI: 10.14814/phy2.15436.

VAN EVERY, D. W. et al. Critical examination of the role of metabolic stress in resistance exercise-induced muscle hypertrophy. Journal of Sport and Health Science, v. 15, p. 101-104, 2026.

 

 

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