TERMORREGULAÇÃO FEMININA NO EXERCÍCIO: INTERAÇÕES ENTRE HORMÔNIOS SEXUAIS, CICLO MENSTRUAL, DISPONIBILIDADE ENERGÉTICA E ADAPTAÇÃO AO CALOR

por | ago 9, 2026

A termorregulação durante o exercício constitui um processo fisiológico dinâmico no qual a produção metabólica de calor, a transferência de calor entre os tecidos, o fluxo sanguíneo cutâneo, a sudorese, a ventilação e o comportamento interagem continuamente para preservar a temperatura interna dentro de limites compatíveis com a homeostase. Embora os princípios fundamentais da termorregulação sejam compartilhados por homens e mulheres, a magnitude e a organização das respostas termorregulatórias podem ser moduladas por características antropométricas, composição corporal, aptidão aeróbia, estado de hidratação, aclimatação térmica e, particularmente nas mulheres em idade reprodutiva, pelas oscilações dos hormônios ovarianos. Essa complexidade torna inadequada a interpretação da resposta térmica feminina a partir de valores médios populacionais ou de modelos fisiológicos derivados predominantemente de amostras masculinas. Encontra-se bem evidenciado que duas atletas submetidas à mesma carga externa e às mesmas condições ambientais podem apresentar respostas térmicas substancialmente distintas, justificando a incorporação de dados individualizados ao processo de monitoramento.

A influência dos hormônios sexuais sobre a termorregulação não deve, entretanto, ser interpretada como uma simples alteração da capacidade de tolerar o calor. Estrogênio e progesterona atuam sobre diferentes componentes dos mecanismos autonômicos envolvidos na dissipação de calor. O estrogênio parece favorecer mecanismos de perda térmica, enquanto a progesterona está associada à elevação da temperatura corporal e a modificações no controle central e periférico das respostas vasomotoras e sudomotoras. Essas ações hormonais contribuem para a conhecida elevação da temperatura corporal basal observada após a ovulação e durante a fase lútea, período no qual a concentração de progesterona aumenta de maneira substancial. A termorregulação feminina, portanto, deve ser compreendida como um sistema sujeito a uma modulação neuroendócrina contínua, e não como uma característica fisiológica estática.

Do ponto de vista funcional, a alteração mais consistentemente demonstrada ao longo do ciclo menstrual é a elevação da temperatura corporal interna na fase lútea. Uma revisão sistemática com metanálise conduzida por Giersch et al. identificou nove estudos, envolvendo 83 participantes, e encontrou temperatura interna significativamente mais elevada na fase lútea tanto antes quanto após o exercício no calor. Em contraste, não foram observadas diferenças agregadas significativas na taxa de sudorese, temperatura média da pele ou frequência cardíaca entre as fases do ciclo. Esses resultados são particularmente importantes porque relativizam uma interpretação frequentemente simplificada segundo a qual a fase lútea necessariamente produziria uma deterioração generalizada da termorregulação. O efeito mais robusto parece estar relacionado à elevação da temperatura interna de repouso e à manutenção dessa diferença durante o exercício, enquanto outras respostas termorregulatórias apresentam maior heterogeneidade individual.

Essa distinção é fundamental para a fisiologia aplicada. O aumento da temperatura interna observado na fase lútea não significa, por si só, que a atleta esteja incapaz de dissipar calor ou que seu desempenho necessariamente será inferior. A termorregulação humana dispõe de múltiplos mecanismos compensatórios e a magnitude da resposta depende da relação entre produção de calor metabólico e capacidade efetiva de transferência de calor para o ambiente. Além disso, diferenças entre mulheres e homens frequentemente são reduzidas quando se controlam massa corporal, composição corporal, área de superfície corporal e taxa metabólica relativa. Revisões contemporâneas enfatizam que não é apropriado caracterizar as mulheres simplesmente como fisiologicamente mais vulneráveis ao calor. Em determinadas condições experimentais, mulheres e homens podem manter temperaturas internas semelhantes, embora utilizem combinações distintas de fluxo sanguíneo cutâneo, sudorese e redistribuição do débito cardíaco.

A relação entre sudorese e fluxo sanguíneo cutâneo merece, nesse contexto, uma interpretação particularmente cuidadosa. Estudos clássicos e contemporâneos demonstram que homens frequentemente apresentam maior taxa absoluta de sudorese, mas isso não implica necessariamente maior eficiência termorregulatória. A capacidade de dissipar calor por evaporação depende não apenas da quantidade de suor produzida, mas também de sua distribuição, da eficiência evaporativa, da temperatura e umidade ambientais, do movimento do ar, da vestimenta e da área corporal disponível para evaporação. A mulher fisicamente treinada pode preservar a temperatura interna de maneira eficaz utilizando uma combinação diferente de respostas circulatórias e sudomotoras. Assim, diferenças sexuais na termorregulação devem ser compreendidas como diferenças de estratégia fisiológica, e não simplesmente como diferenças de capacidade.

A fase do ciclo menstrual acrescenta uma camada adicional de variabilidade. Durante a fase folicular, particularmente na primeira metade do ciclo, a temperatura corporal interna tende a permanecer mais baixa; após a ovulação, a elevação da progesterona está associada a uma mudança do controle termorregulatório e a um aumento da temperatura corporal basal, frequentemente da ordem de algumas décimas de grau. O sistema termorregulatório passa, portanto, a operar a partir de uma temperatura interna inicial mais elevada. Em ambientes quentes, essa condição pode reduzir a margem fisiológica disponível antes que sejam atingidos níveis elevados de temperatura interna, especialmente quando a produção metabólica de calor é alta e a dissipação ambiental é limitada. Contudo, a consequência prática dessa alteração depende da capacidade individual de sudorese, vasodilatação cutânea, estado de hidratação, aclimatação, aptidão aeróbia e características ambientais.

Por essa razão, a utilização da fase menstrual como variável isolada para prescrever ou modificar treinamento apresenta limitações importantes. A literatura disponível apresenta heterogeneidade metodológica considerável, incluindo diferentes métodos de confirmação da ovulação, definições de fases do ciclo, métodos de mensuração da temperatura interna, níveis de treinamento e condições ambientais. Além disso, ciclos menstruais variam em duração e padrão hormonal entre mulheres, e a classificação baseada exclusivamente no calendário pode não representar adequadamente o estado endocrinológico individual. O próprio material de referência enfatiza, de maneira coerente com a literatura, que o ciclo menstrual deve ser considerado apenas uma variável dentro de um conjunto mais amplo de indicadores fisiológicos, de desempenho, recuperação, sono e percepção subjetiva.

Essa abordagem ganha relevância especial no esporte de endurance, no qual a exposição prolongada ao calor pode produzir aumento progressivo da temperatura interna, redução do volume plasmático, aumento da frequência cardíaca e redistribuição crescente do débito cardíaco para a pele, simultaneamente à manutenção do fluxo sanguíneo para os músculos ativos. A chamada deriva cardiovascular constitui, nesse contexto, uma manifestação integrada da interação entre carga metabólica, temperatura interna, volume plasmático e demanda circulatória. Consequentemente, uma determinada potência ou velocidade não representa necessariamente a mesma carga fisiológica térmica em diferentes dias. Duas sessões com potência, frequência cardíaca e duração semelhantes podem resultar em trajetórias térmicas distintas em função das condições ambientais e do estado fisiológico da atleta.

É justamente nesse ponto que o monitoramento longitudinal da temperatura interna pode acrescentar informação relevante às métricas tradicionais de treinamento. Potência, velocidade e frequência cardíaca descrevem predominantemente a relação entre carga externa e resposta cardiovascular, mas não representam diretamente o estado térmico do organismo. A temperatura interna adiciona uma dimensão fisiológica capaz de revelar alterações na relação entre trabalho metabólico e dissipação de calor. O acompanhamento repetido, realizado em condições comparáveis, pode permitir identificar padrões individuais de resposta, como elevação progressiva da temperatura interna para uma mesma carga, alterações na velocidade de recuperação térmica ou maior deriva cardiovascular em determinadas condições. Neste contexto, a integração entre dados térmicos e informações sobre o ciclo menstrual, treinamento, recuperação e percepção subjetiva podem fornecer informações relevantes ao atleta.

A utilidade do monitoramento individualizado, entretanto, depende de uma distinção essencial entre tendência fisiológica e medida absoluta. Sensores vestíveis de temperatura apresentam grande potencial para o acompanhamento longitudinal em ambientes esportivos, mas sua validade deve ser analisada de acordo com o dispositivo, o contexto de utilização e a magnitude da temperatura interna observada. Em estudo realizado com 19 jogadoras da seleção australiana de hóquei durante um campo de treinamento no calor, Goods et al. compararam o sensor CORE com uma pílula telemétrica de temperatura. O dispositivo se aproximou dos métodos de referência, mas subestimou a temperatura interna em diferentes sessões com erros superiores a 0,3 °C em parcela considerável das observações. Portanto, embora sensores vestíveis sejam extremamente úteis para acompanhamento individual e identificação de padrões, não devem ser automaticamente considerados equivalentes a métodos de referência para determinação da temperatura interna em situações de elevado estresse térmico.

Essa ressalva metodológica não reduz a importância do monitoramento térmico; ao contrário, reforça a necessidade de interpretar o dado dentro de seu contexto. Para aplicações de campo, a maior utilidade de uma tecnologia portátil pode residir na capacidade de produzir séries temporais padronizadas, permitindo comparar uma atleta consigo mesma ao longo de diferentes sessões. Em ciência aplicada ao esporte, a pergunta mais relevante nem sempre é se o valor estimado corresponde exatamente à temperatura esofágica ou gastrointestinal em cada instante, mas se a variável apresenta estabilidade, sensibilidade e validade suficientes para detectar mudanças fisiologicamente relevantes dentro do contexto específico em que está sendo empregada. A interpretação, portanto, deve privilegiar tendências individuais, associadas a outros marcadores, em vez de depender exclusivamente de um valor absoluto.

Outro elemento decisivo é a aclimatação ao calor. A exposição repetida ao estresse térmico desencadeia adaptações centrais e periféricas que reduzem a carga fisiológica imposta pelo ambiente. Entre as respostas mais relevantes estão a redução da temperatura interna e da frequência cardíaca durante o exercício, a diminuição da temperatura cutânea e o aumento da taxa de sudorese. Uma revisão sistemática e metanálise especificamente direcionada às mulheres demonstrou que a aclimatação ao calor produz adaptações fisiológicas significativas e melhora o desempenho em condições térmicas adversas. Foram observadas reduções na temperatura interna de repouso e durante o exercício, redução da frequência cardíaca e aumento da sudorese, além de melhora dos testes de desempenho no calor.

Esses achados são relevantes porque demonstram que a maior temperatura interna potencialmente observada durante a fase lútea não deve ser interpretada como uma razão para evitar treinamento térmico. Pelo contrário, mulheres apresentam capacidade clara de adaptação ao calor. A questão central é determinar a dose adequada de exposição e a maneira como o estresse térmico adicional deve ser integrado à carga total de treinamento. Revisões anteriores sugeriram que mulheres poderiam apresentar uma cinética de adaptação diferente da observada em homens e, em determinadas circunstâncias, necessitar de maior número de exposições ou maior estímulo térmico para atingir adaptações equivalentes. A evidência mais recente, contudo, indica que mulheres respondem de maneira robusta à aclimatação, embora a magnitude e a velocidade das adaptações sejam influenciadas por duração, intensidade, frequência das exposições, estado de treinamento e dose térmica total.

O princípio de individualização torna-se ainda mais importante quando o treinamento térmico é combinado com elevada carga de endurance. Uma sessão de aclimatação não representa apenas um estímulo ambiental; ela constitui um estressor fisiológico adicional. Quando associada a exercício prolongado, déficit hídrico, baixa disponibilidade de carboidratos, sono inadequado ou recuperação insuficiente, a carga térmica pode ultrapassar a capacidade de recuperação do organismo. Nesse cenário, alterações na resposta térmica podem representar não apenas uma adaptação desejável, mas também um sinal de que a relação entre estímulo e recuperação precisa ser reavaliada.

A disponibilidade energética ocupa posição central nessa interpretação. A baixa disponibilidade energética ocorre quando a energia ingerida não é suficiente para sustentar simultaneamente o gasto energético do exercício e as funções fisiológicas necessárias à manutenção da saúde. Quando persistente, pode comprometer o eixo reprodutivo, metabolismo ósseo, função cardiovascular, imunidade, metabolismo e capacidade de recuperação, constituindo um dos principais componentes do espectro denominado Relative Energy Deficiency in Sport (RED-S).

No contexto da termorregulação, essa relação é particularmente relevante porque a função reprodutiva e o balanço energético estão intimamente relacionados à atividade do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal. A presença de irregularidade menstrual ou amenorreia, portanto, não deve ser interpretada apenas como uma variável relacionada ao calendário de treinamento, mas como possível marcador de alterações sistêmicas decorrentes de baixa disponibilidade energética. Estudos em atletas de endurance demonstram associação entre baixa disponibilidade energética, disfunção menstrual e alterações metabólicas e ósseas, embora a relação específica entre RED-S e tolerância ao calor ainda necessite de investigação experimental mais robusta.

Essa última ressalva é importante para evitar extrapolações. Observações realizadas em equipes esportivas de alto rendimento podem gerar hipóteses fisiologicamente plausíveis, mas não constituem, isoladamente, evidência causal. O relato de respostas diferentes ao treinamento térmico entre atletas com e sem ciclo menstrual, por exemplo, é interessante como sinal para monitoramento, mas não permite concluir que a ausência do ciclo seja responsável diretamente por determinada trajetória de frequência cardíaca, variabilidade da frequência cardíaca ou recuperação térmica. A literatura sobre RED-S estabelece claramente a relevância da baixa disponibilidade energética e de suas consequências multissistêmicas, mas a caracterização precisa de seus efeitos sobre a adaptação térmica ainda permanece uma área de investigação em desenvolvimento.

A utilização de contraceptivos hormonais acrescenta outra dimensão à interpretação dos dados. Dependendo do tipo de contracepção, da composição hormonal e do padrão de administração, as flutuações endógenas de estradiol e progesterona podem ser atenuadas ou substituídas por diferentes perfis hormonais. Consequentemente, não é adequado simplesmente aplicar às usuárias de contraceptivos hormonais o modelo clássico de fase folicular versus fase lútea. A interpretação fisiológica deve considerar o tipo de contraceptivo, o regime de uso e a resposta individual. A literatura demonstra que os hormônios sexuais exercem influência sobre os mecanismos autonômicos de termorregulação, mas também evidencia que a relação entre estado hormonal, temperatura corporal e desempenho não é suficientemente uniforme para justificar modelos prescritivos universais.

A consequência prática desse conjunto de evidências é uma mudança conceitual na forma de interpretar a fisiologia da atleta. Em vez de perguntar se determinada fase do ciclo é “melhor” ou “pior” para treinar, torna-se mais cientificamente apropriado investigar como uma determinada atleta responde ao treinamento em diferentes estados fisiológicos. Essa abordagem desloca o foco da previsão baseada em médias populacionais para a caracterização da resposta individual. A temperatura interna, a frequência cardíaca, a potência ou velocidade, a percepção subjetiva de esforço, a hidratação, o sono, a recuperação, a disponibilidade energética e o estado menstrual podem ser integrados em um modelo longitudinal capaz de revelar relações que permaneceriam invisíveis quando cada variável fosse analisada isoladamente.

Essa perspectiva é particularmente relevante no esporte de alto rendimento, no qual pequenas diferenças na relação entre carga externa e resposta fisiológica podem adquirir significado estratégico. Em uma prova prolongada sob temperaturas de 35–40 °C, por exemplo, a capacidade de estimar antecipadamente a evolução da carga térmica pode contribuir para decisões relativas ao pacing, hidratação, resfriamento e distribuição do esforço. O relato de equipes profissionais de ciclismo apresentado no texto-base ilustra precisamente essa transição de uma abordagem baseada exclusivamente em carga externa para uma estratégia que incorpora a experiência térmica acumulada de cada atleta.

O objetivo, portanto, não deve ser construir um modelo em que a fase menstrual determine automaticamente o treinamento. Uma estratégia desse tipo poderia transformar uma variável fisiológica legítima em uma regra simplificadora, produzindo justamente o efeito contrário ao desejado. O ciclo menstrual deve ser compreendido como uma fonte potencial de variabilidade biológica, cuja importância precisa ser determinada empiricamente para cada atleta. Quando combinado com medidas objetivas e subjetivas, pode contribuir para explicar mudanças aparentemente inexplicáveis na resposta ao exercício. Quando analisado isoladamente, entretanto, possui capacidade preditiva limitada.

A termorregulação feminina representa, assim, um exemplo particularmente expressivo da necessidade de avançar de uma fisiologia baseada em médias para uma fisiologia baseada em indivíduos. A literatura demonstra que os hormônios ovarianos modulam a temperatura corporal e alguns mecanismos de dissipação de calor; que a fase lútea está associada a maior temperatura interna; que mulheres apresentam estratégias termorregulatórias que podem diferir das masculinas sem necessariamente implicar menor tolerância ao calor; que a aclimatação produz adaptações robustas também em mulheres; e que baixa disponibilidade energética e alterações menstruais devem ser consideradas no contexto mais amplo da saúde e da capacidade de adaptação da atleta.

A consequência mais importante dessa integração é metodológica: a individualização deve preceder a intervenção. Antes de modificar carga, intensidade, horário de treinamento, exposição térmica, hidratação ou estratégia de recuperação em função do ciclo menstrual, é necessário demonstrar que determinada atleta apresenta uma resposta consistente e relevante associada ao seu estado hormonal. O acompanhamento longitudinal permite estabelecer seu próprio padrão de normalidade e identificar desvios desse padrão. Nesse modelo, a tecnologia de monitoramento térmico não substitui a avaliação fisiológica; ela amplia a capacidade de observar o organismo em condições reais de treinamento e competição.

O futuro da fisiologia aplicada ao esporte feminino provavelmente dependerá menos da busca por uma suposta “resposta feminina” universal e mais da capacidade de caracterizar a interação entre sexo, estado hormonal, composição corporal, aptidão física, disponibilidade energética, ambiente e comportamento. A termorregulação é um sistema emergente dessas interações. Por isso, a atleta não deve ser interpretada simplesmente a partir da fase do ciclo em que se encontra, mas a partir da resposta integrada que efetivamente apresenta. A incorporação de dados térmicos individualizados, quando realizada com instrumentos adequadamente validados e interpretada em conjunto com indicadores cardiovasculares, metabólicos, perceptivos e comportamentais, oferece uma oportunidade concreta para transformar a variabilidade biológica de uma fonte de incerteza em uma variável mensurável da prescrição e do controle do treinamento.

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