Roger de Moraes é um dos raros exemplos de convergência entre prática esportiva de elite e pesquisa científica de alto nível. Professor, pesquisador e fundador da Ecofiex, Roger construiu uma trajetória que alia excelência acadêmica, experiência prática no esporte e uma compreensão singular sobre as adaptações fisiológicas humanas ao exercício. Sua formação científica teve início no Instituto Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), onde desenvolveu estudos no Laboratório de Investigação cardiovascular do Departamento de Fisiologia e Farmacodinâmica, introduzindo de forma pioneira linhas de pesquisa voltadas à fisiologia do exercício físico. Primeiro lugar no concurso para o mestrado em fisiopatologia clínica e experimental da UERJ, consolidou o conhecimento acerca dos mecanismos moleculares que sustentam o desempenho e a saúde cardiovascular.

No doutorado em Biologia Celular e Molecular da FIOCRUZ, Roger aprofundou-se nos processos adaptativos que envolvem a interação entre a microcirculação e o metabolismo tecidual, estendendo seus estudos de proteômica para investigar o impacto do exercício físico sobre o endotélio vascular e a função hemodinâmica. Em seguida, realizou pós-doutorado de cinco anos no mesmo Laboratório de Investigação Cardiovascular (IOC-FIOCRUZ), período em que promoveu uma importante transição metodológica — da experimentação em animais de laboratório para estudos em seres humanos — utilizando tecnologias de ponta como fluxometria laser Doppler e Speckle para se aprofundar na fisiologia do exercício. Essas ferramentas permitiram a análise direta das respostas microvasculares e da função endotelial diante de estímulos hemodinâmicos e metabólicos, como o exercício em diferentes intensidades, a hiperglicemia e a hipertensão arterial.

Imagem: Laboratório de proteômica e Laboratório de microcirculação na Suécia.
Especialista reconhecido na fisiologia microvascular e na biologia adaptativa do exercício, com mais de uma dezena de artigos publicados em revistas científicas de alto impacto, Roger de Moraes dedicou sua carreira a compreender como as estruturas vasculares se remodelam em resposta ao treinamento físico, buscando elucidar os mecanismos pelos quais o exercício protege o endotélio contra as agressões metabólicas. Seus estudos pioneiros sobre o rim revelaram que o exercício físico, além de promover angiogênese e melhorar a perfusão tecidual, exerce efeitos protetores frente ao estresse oxidativo e à toxicidade induzida por glicose elevada — achados que reforçam o papel do treinamento de endurance como ferramenta terapêutica e preventiva. No Laboratório de Microcirculação do Programa de Hipertensão (ProHArt) do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho da UFRJ, que coordenou por 6 anos, Roger reativou e consolidou linhas de pesquisa sobre a função endotelial, a regulação do fluxo microvascular e a adaptação vascular ao exercício.

Sua visão científica é fortemente influenciada pela compreensão evolutiva e funcional da microcirculação — tema central de sua produção acadêmica. Para Roger, a microvasculatura representa o ponto de convergência entre forma, função e adaptação: é o palco onde o exercício físico revela seu poder de transformar a biologia humana. Ele descreve a microcirculação como um sistema dinâmico e plástico, moldado ao longo da filogênese para responder às pressões ambientais e, na contemporaneidade, reconfigurado pelas forças mecânicas e metabólicas geradas pelo movimento. Essa perspectiva — que une biologia evolutiva, termodinâmica e fisiologia aplicada — perpassa toda a sua obra e sustenta a base teórica da Ecofiex, empresa que hoje traduz esse conhecimento em práticas de avaliação, treinamento e educação científica.
Fundada em 2021, a Ecofiex reflete a síntese entre o cientista e o atleta. A empresa oferece consultoria especializada em eventos de endurance, assessoria esportiva, cursos e palestras que articulam ciência e prática. A Ecofiex desenvolve atualmente dois projetos de destaque: o Pace Me, voltado para mulheres que desejam aprender a correr e se movimentar de forma livre e consciente, e o Projeto VO₂, destinado à execução e interpretação de avaliações do consumo de oxigênio — tanto sistêmico quanto local — e à identificação de limiares metabólicos essenciais à prescrição individualizada de treinamento. Representando no Brasil as marcas VO₂ Master e Moxy Monitor, Roger alia sua experiência em pesquisa à difusão de tecnologias avançadas de avaliação fisiológica, capacitando profissionais e centros de pesquisa a compreender e aplicar com precisão os dados de performance e adaptação.

A trajetória científica e esportiva de Roger de Moraes é inseparável de sua história pessoal. Ex-atleta profissional de triathlon, foi o vencedor do primeiro triathlon oficial realizado no Brasil, em 1983, tendo sido campeão internacional e recordista em diversas modalidades deste esporte na década de 80. Estabeleceu-se na Alemanha, em Roth, epicentro do triathlon europeu, onde conviveu com pesquisadores e treinadores que formaram as bases modernas da fisiologia dos esportes de Endurance e de sua periodização. Após um grave atropelamento em 1993, que encerrou sua carreira competitiva, Roger canalizou sua paixão pelo esporte para a ciência, motivado pelo incentivo de sua tia-avó, a renomada física Elisa Esther Habbema de maia.

Fonte: Arquivo pessoal. Da esquerda para direita: Vice-Campeão alemão de Triathlon (1987); Recorde sul-americano do Ironman (8h55min); Campeão Brasileiro de Triathlon (1986); Campeão do Triathlon Internacional de Mar Del PLata (1986); Vicer-Campeão do Triathlon de Berlin (1987).
Hoje, com uma carreira que atravessa o esporte, a pesquisa e a educação, Roger de Moraes representa uma autoridade na interface entre fisiologia aplicada, microcirculação e desempenho humano. Sua formação acadêmica robusta, aliada à vivência prática no alto rendimento e ao domínio técnico das metodologias mais modernas de avaliação fisiológica, confere à Ecofiex um diferencial inquestionável. Mais do que uma empresa, a Ecofiex é a extensão de uma vida dedicada à compreensão científica do movimento humano — e à convicção de que o exercício é, antes de tudo, um fenômeno biológico de adaptação e sobrevivência.